“Bête Noire”, o episódio da Black Mirror sobre manipulação psicológica.

No episódio “Bête Noire”, de Black Mirror, um reencontro desperta dúvidas sobre a própria sanidade.

A série Black Mirror, criada por Charlie Brooker, na 7ª temporada na Netflix, reafirma seu lugar como uma das produções mais impactantes da ficção científica contemporânea. Com tramas provocativas que exploram os efeitos da tecnologia no comportamento humano, a série mantém seu estilo distópico, reflexivo e perturbador — mesmo após mais de uma década desde sua estreia.

Entre os novos episódios, um dos que mais tem chamado atenção do público é “Bête Noire”, já considerado um dos mais densos e psicologicamente intensos da temporada.

“Bête Noire”: um espelho sombrio sobre a realidade

“Bête Noire”, o episódio da Black Mirror sobre manipulação psicológica.

Descrito pela Netflix como “uma parábola sobre gaslighting”, “Bête Noire” mergulha em um tipo de manipulação psicológica sutil, porém devastadora. A história mostra como uma vítima pode, aos poucos, perder a confiança em suas próprias memórias, percepções e até em sua sanidade — tudo devido à influência invisível e controladora de outra pessoa.

O episódio exemplifica perfeitamente a marca registrada de Black Mirror: utilizar a ficção para discutir questões reais e urgentes da sociedade moderna, especialmente o papel da tecnologia no modo como nos relacionamos e compreendemos o mundo ao nosso redor.

Um mergulho psicológico: controle, dúvida e isolamento

Com uma narrativa intensa, “Bête Noire” aborda temas profundamente atuais, como:

  • A manipulação da verdade

  • O controle psicológico sobre o outro

  • O uso da tecnologia para distorcer a realidade

  • O isolamento emocional assim como perda da autoconfiança

A combinação desses elementos cria um suspense psicológico que desafia o espectador a refletir sobre o que é real — e sobre quem, de fato, está no controle das nossas experiências.

A trama

“Bête Noire”, o episódio da Black Mirror sobre manipulação psicológica.

O episódio acompanha Maria (Siena Kelly), uma pesquisadora de alimentos bem-sucedida, cuja vida começa a desmoronar quando sua ex-colega de classe, Verity (Rosy McEwen), reaparece ao participar de um grupo de discussão sobre a barra de chocolate Hucklebuck. Verity acaba sendo contratada e vai trabalhar junto com Maria. Contudo, começam a ocorrer diversas falhas de percepção da realidade com Maria.

Como por exemplo, Maria começa a desconfiar da própria sanidade, quando esquece uma possível reunião. Em outra ocasião, insiste em afirmar que o nome de um fast food é Barnie´s e não Bernie´s. E depois acaba acusada de tomar leite de nozes de uma colega, algo que é impossível dela fazer pelo fato de ser alérgica. Contudo, Maria tem certeza que tudo aquilo tem algo relacionado com a chegada de Verity. 

Por fim, o título do episódio, “Bête Noire”, vem do francês e é usado para descrever algo que provoca aversão profunda ou constante incômodo. Um conceito que se encaixa perfeitamente na atmosfera tensa e psicológica da trama.