A Vida de Mal Evans com os Beatles agora é contada em livro.

Mal Evans era mais que um rodie, ajudava nas músicas e ouvia as confidências dos Beatles.

Um novo capítulo da história dos Beatles acaba de ser revelado com o lançamento no dia 30 de junho de Living The Beatles Legend: The Untold Story of Mal Evans (“Vivendo com a Lenda dos Beatles: A História Não Contada de Mal Evans”). A obra resgata a trajetória do fiel assistente do quarteto de Liverpool, que esteve ao lado da banda desde os tempos do Cavern Club até os turbulentos dias finais.

Malcolm Evans, conhecido carinhosamente como Mal, começou sua jornada com os Beatles como segurança no Cavern Club, ainda antes da fama. A indicação veio de George Harrison. Mais tarde, com a chegada do empresário Brian Epstein, Mal acabou incorporado oficialmente à equipe como assistente – função que hoje todos conhecem como roadie. Mas sua atuação foi muito além das tarefas técnicas. Mal era o homem de confiança dos Beatles: montava a bateria de Ringo Starr, posicionava instrumentos, acalmava fãs e até servia café. Seu envolvimento era tão íntimo que, segundo relatos, ele chegou a assinar fotos no lugar dos músicos quando o grupo já não dava conta do volume de pedidos de autógrafos.

mal evans

Participações em gravações dos Beatles. 

O livro revela que Mal participou ativamente de momentos criativos. Ele tocou o órgão em “You Won’t See Me” (do álbum Rubber Soul), contribuiu com ideias para a letra de “Fixing A Hole”, tocou o despertador em “A Day In The Life” e a bigorna em “Maxwell’s Silver Hammer” – esta última cena aparece no documentário Get Back, de Peter Jackson. Mal também é a voz que grita no porto na canção “Yellow Submarine”.

Sua presença foi marcante nos filmes “Help!”, “Magical Mystery Tour” e no documentário Let It Be. Durante as tensas sessões de janeiro de 1969, Mal estava nos estúdios, acompanhando a criação de músicas como “The Long And Winding Road”, cujas letras ele ajudava a anotar enquanto Paul McCartney as escrevia. No famoso show no telhado, em 30 de janeiro daquele ano, foi ele quem tentou negociar com os policiais que queriam encerrar a apresentação.

Mal era tão próximo do grupo que os quatro Beatles impediram sua demissão quando Allen Klein assumiu os negócios da banda. Ele também quem sugeriu que o Badfinger fosse contratado pela Apple Records, selo criado pelos Beatles.

Após a separação do grupo, Mal ainda trabalhou com Paul e John, mas sua vida tomou rumos difíceis. Em 1974, mudou-se para Los Angeles, onde tentou investir na carreira artística. Em dificuldades financeiras, ele ainda prestou apoio a Lennon durante o chamado “fim de semana perdido”, período em que o ex-beatle viveu com May Pang. O livro traz, inclusive, fotos inéditas de John e Paul registradas por Mal.

Morte trágica.

Infelizmente, a vida de Mal Evans teve um fim trágico. Em janeiro de 1976, vivendo um momento de depressão profunda, separado da esposa Lily e envolvido com álcool e drogas, Mal se envolveu em um desentendimento com um vizinho. Ao apontar uma arma de pressão para policiais, acabou alvejado com quatro tiros. Ele morreu na hora. Seu corpo foi cremado, mas as cinzas nunca chegaram à Inglaterra.

A história do livro é tão curiosa quanto sua vida. Mal deixou os manuscritos quase prontos, mas sua obra foi engavetada após sua morte. Apenas em 1988, ao limpar os arquivos da editora Grosset & Dunlap, a funcionária Leena Kutti encontrou os originais, com o título Living the Beatles’ Legend: Or 200 Miles to Go. O material foi entregue a Yoko Ono, que convidou o jornalista e pesquisador Kenneth Womack para organizar e finalizar a publicação com o aval da família de Mal.

Contudo, segundo Gary Evans, filho de Mal, o pai sofria de problemas mentais e pode ter arquitetado sua própria morte. Apesar da tragédia, a memória que permanece é a de um homem generoso e indispensável à engrenagem dos Beatles – o “Gigante Gentil”, como era conhecido.

Por fim, Living The Beatles Legend, escrito por Kenneth Womack, está disponível no site da Amazon.com