A história de ‘One After 909, de canção inacabada a clássicos dos Beatles.
One After 909, a evolução de um clássico dos Beatles, do estúdio ao show no telhado.
O livro Tune IN, escrito por Mark Lewisohn, é uma das obras mais detalhadas sobre os primeiros anos da carreira dos Beatles, abrangendo até a ascensão da banda na Inglaterra com o álbum Please Please Me.
Entre as histórias do livro, destaca-se o surgimento de uma canção inacabada que, mais tarde, se tornou um clássico dos Beatles: “One After 909”. John Lennon começou a escrever pra valer a música por volta de maio de 1960. A letra narra a história de uma garota viajando em um trem que chegaria após as 09h09. Na época, a então namorada de John, Cynthia Powell, contribuiu para a composição enquanto ele e Paul trabalhavam na canção no bar Jacaranda, apesar de Paul e George não encontrarem muito sentido na letra.
A falta de sentido pode ser atribuída ao fato de John ter começado a compor a música muito cedo, refletindo sua fascinação pelo número 9.
“Isso foi algo que eu escrevi quando tinha cerca de dezessete anos. Eu morava na 9 Newcastle Road. Eu nasci no nono dia de outubro, o nono mês. É apenas um número que me persegue, mas, numerologicamente, parece ser um número seis ou três, algo assim. Mas está sempre ligado ao nove.”
Gravações toscas.
Mesmo assim, John, Paul e George chegaram a gravar a canção no estúdio de Percy Phillips, onde, anos antes, haviam registrado “That’ll Be the Day” e “In Spite Of All The Danger”. Arthur Kelly estava presente na sessão, mas não participou da gravação. Ele relembra:
“Eram só os três, sem Stuart e sem baterista, e eu também não toquei. Eu era apenas um amigo deles, acompanhando. Tenho 100% de certeza de que eles gravaram ‘One After 909’ e a colocaram em um disco de acetato, de apenas um lado. Eu fiquei com esse disco por um tempo. Me deram permissão para pegá-lo emprestado, e eu o toquei para meu pai e minha mãe.”
A gravação tem cerca de 40 minutos, sem títulos claros, difícil de ser ouvida e com poucas conexões entre as faixas, além de notas erradas. No entanto, já demonstrava uma boa harmonia. Naquela época, eles ainda não tinham um empresário, mas costumavam tocar no Casbah de Mona Best. Paul, como lembra o livro Tune IN, era responsável por escrever as biografias dos integrantes: “Nós mentíamos até não poder mais, só para chamar a atenção de alguém.”
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Versões de “One After 909”
Há uma versão de “One After 909” tocada na época do Cavern Club, com alguns erros e já com Ringo na bateria. Ouça:
Outras versões já aconteceram nos estúdios Abbey Road, durante a gravação de “From Me To You”, por volta de março de 1963, e acabou incluída no projeto Anthology, de 1995. A banda gravou quatro takes da canção. No Take 1 a banda erra a sobreposição de vozes. Já no Take dois, existe um erro na execução do solo, “Que tipo solo foi este?”. Pergunta John para George.
E no quatro e cinco Paul não consegue dar continuidade. No entanto, o Anthology traz uma versão inteira de “One After 909”, mesmo assim a música foi deixada de lado.
Sendo assim, “One After 909” acabou ressuscitada na versão mais famosa que está no álbum Let It Be, parte do projeto Get Back. A canção ganhou nova vida com o arranjo de teclado criado por Billy Preston e pela clássica performance no show do telhado, em 30 de janeiro de 1969.