O Morro dos Ventos Uivantes: diferenças entre o clássico e o novo filme

A nova versão cinematográfica de O Morro dos Ventos Uivantes, dirigida por Emerald Fennell e estrelada por Margot Robbie e Jacob Elordi, estreou nos cinemas brasileiros em 12 de fevereiro de 2026.

Do livro clássico ao filme: o que mudou?

1. Livre interpretação da história: A cineasta não entrega uma adaptação literal do romance de Emily Brontë (1847) — o longa é uma releitura com identidade própria, destacando elementos emocionais e sensoriais em vez de seguir fielmente cada evento do livro.

2. Relação entre Catherine e Heathcliff mais física: No romance original, a conexão entre Catherine e Heathcliff é construída principalmente no plano psicológico e espiritual, com poucas cenas de contato físico explícito. No filme, a relação acaba intensificada com ênfase na dimensão física, sensualidade e desejo, algo menos presente nas páginas da obra.

3. Cortes importantes na narrativa: Elementos centrais da segunda geração de personagens do livro — como a filha de Catherine e o filho de Heathcliff — foram omitidos no filme, assim como outros arcos que exploram vingança e herança de traumas entre famílias.

4. Construção de personagem reinventada: No livro, Heathcliff é descrito como um personagem racialmente ambíguo, muitas vezes interpretado como cigano, com isso reforçando temas de exclusão social. A versão de Fennell opta por outra leitura. Sobretudo, focando nas tensões de classe social, repetindo escolhas de elenco que geraram debates sobre fidelidade ao texto original.

5. Temas como poder e abuso ganham nova abordagem: O romance traz discussões complexas sobre abuso emocional e violência estrutural, mas no filme esses temas são explorados de maneira mais ambígua e estilizada, deixando ainda mais espaço para tensão e conflito emocional.

Então, em tom geral do filme

  • A trama mantém a essência do clássico gótico — amor tormentoso, obsessão e tragédia —, mas com uma estética e ritmo pensados para o público contemporâneo.

  • A trilha sonora moderna e a atmosfera intensa reforçam a proposta de uma obra emocionalmente visceral e estilizada.