John Lennon: a história por trás do classíco traje militar
A origem da peça foi revelada pelo próprio Lennon em 11 de setembro de 1971, durante participação no The Dick Cavett Show. Sem solenidade, ele contou que tudo começou em um aeroporto alemão. Vestindo um casaco militar, Lennon foi abordado por um homem que havia acabado de deixar o exército após servir no Vietnã. O desconhecido comentou que, se ele gostava daquelas roupas, poderia ficar com elas. Lennon aceitou. Anos depois, várias peças militares chegaram pelo correio.
A camisa falava por si antes mesmo de qualquer explicação. Entre os distintivos, estavam a fita com o nome Reinhardt, a identificação do exército dos EUA, o patch da Segunda Divisão de Infantaria no ombro esquerdo, a insígnia da Zona Desmilitarizada dos Escuteiros Imjin no bolso e as faixas de sargento nas mangas. Cada símbolo indicava experiências reais em zonas de tensão militar.
O emblema da Segunda Divisão de Infantaria, com o tradicional símbolo indígena, representava uma unidade criada para defender a Coreia do Sul contra uma possível invasão norte-coreana — missão que a divisão mantém até hoje. Já o patch do Regimento de Exploração Imjin revelava algo ainda mais específico: seu portador havia realizado ao menos 20 patrulhas na Zona Desmilitarizada, ao norte do rio Imjin, uma das áreas mais perigosas do planeta.
Um presente.
O homem por trás da camisa era Peter James Reinhardt, ex-sargento do exército americano que serviu na Coreia do Sul. Após deixar a vida militar, passou a trabalhar na Delta Airlines, o que lhe permitia viajar gratuitamente. Em uma dessas viagens, enquanto visitava a mãe, conheceu John Lennon. Conversaram brevemente. Nada além disso. Anos depois, Reinhardt decidiu enviar as roupas militares ao músico.
A primeira vista, pode parecer contraditório que Lennon — uma das vozes mais influentes contra a Guerra do Vietnã — usasse uma camisa militar. Para ele, porém, não havia conflito. Ser contra a guerra nunca significou desprezar quem foi enviado para lutar nela. Pelo contrário: a camisa representava memória, respeito e empatia por aqueles que sobreviveram ao front.
Por fim, a camisa usada por John Lennon não celebrava conflitos armados. Muito pelo contrário, ela lembrava, em silêncio, das pessoas que passaram por eles. Afinal, um símbolo improvável que ajudou a transformar memória. E sobretudo, dor e sobrevivência em um gesto permanente de paz.
