AC/DC pode voltar ao Brasil: saiba as curiosidades de “Hells Bells”, clássico da banda

“Power Up” Tour pode desembarcar em São Paulo para três shows. 

Photo by Christie Goodwin

A lendária banda australiana AC/DC está perto de confirmar três apresentações na cidade de São Paulo, movimentando a cena do rock no Brasil após anos de espera dos fãs. A notícia vem em meio à retomada dos shows ao vivo da banda, que continua uma das maiores referências do rock mundial.

Enquanto a expectativa cresce, é impossível não relembrar um dos maiores clássicos do AC/DC: “Hells Bells”. Lançada em 1980 como faixa de abertura do álbum Back in Black, essa música marcou a estreia do vocalista Brian Johnson, que substituiu o saudoso Bon Scott após sua morte. O tema tornou-se símbolo da força e da renovação da banda.

A faixa conta com o famoso sino badalando antes do riff clássico entrar, cerca de nove vezes durante a introdução. Contudo, para as gravações a banda não queria um carretel de efeitos sonoros. Acabou indo em busca de um sino de verdade. E encontraram em Leicestershire, Inglaterra, no Carillon and War Memorial Museum. Mas a banda também encomendou um sino de cerca de 900 kg para as apresentações ao vivo. 

O sino original não ficou pronto a tempo para a gravação. Por isso, o fabricante John Taylor Bellfounders organizou a gravação de um sino parecido em uma igreja próxima. Porém, segundo o engenheiro Tony Platt, a experiência não foi ideal, pois havia pássaros vivendo dentro do sino. Quando tocado, o som ficava misturado com o bater das asas dos pássaros, que se refugiavam no interior do sino após o toque.

Como foi gravado o sino para a música: o segredo por trás do som único

Para a gravação com o clássico sino, a banda decidiu usar uma peça ainda em produção. Para isso, emprestaram um equipamento móvel de gravação do renomado Ronnie Laine e levaram até a fundição. O sino foi suspenso por um sistema de polias e tocado pelo próprio fabricante, garantindo a autenticidade do som.

Gravar sinos não é tarefa simples devido aos harmônicos complexos. Por isso, o engenheiro de som Tony Platt instalou cerca de 15 microfones de diferentes tipos espalhados estrategicamente pela fundição para capturar cada detalhe do toque.

Depois da gravação, as faixas foram levadas ao Electric Lady Studios, em Nova York, onde Tony Platt e o produtor Mutt Lange selecionaram a melhor combinação dos sons. Eles desaceleraram a gravação para metade da velocidade, fazendo com que o sino de uma tonelada soasse como um sino de duas toneladas com um timbre mais sombrio e impactante.

Esse efeito acabou integrado à mixagem final da música, criando o som inesquecível que ouvimos. Para os fãs mais atentos, vale destacar: o sino ao vivo toca uma oitava acima da gravação original.

O significado de “Hell’s Bells” e a história sobrenatural por trás da música

O termo “Hell’s Bells” é uma expressão usada para demonstrar surpresa, mas na música do AC/DC ele evoca imagens do submundo e o sentimento de “fazer o inferno” — algo muito associado ao icônico vocalista Bon Scott.

Brian Johnson, que assumiu os vocais após Scott, revelou em entrevista à revista Q (novembro de 2008) que escrever a letra dessa música foi uma experiência intensa, quase sobrenatural. Ele contou:

“Não acredito em Deus, no Céu ou no Inferno. Mas algo aconteceu. Estávamos em quartos parecidos com celas, sem TV, apenas uma cama e banheiro. Tinha uma folha grande de papel para escrever as letras. De repente, comecei a escrever freneticamente, como se minha mão estivesse possuída. Nunca parei. Era como se estivesse possuído. Tinha uma garrafa de uísque ao lado, tomei alguns goles e mantive a luz acesa a noite toda.”

Resgate de um piloto.

Além da história da criação, Brian Johnson também falou sobre o impacto real da música. Segundo ele, “Hell’s Bells” teve um papel crucial no resgate do piloto Michael Durant, capturado durante a Batalha de Mogadíscio, na Somália, em 1993.

Johnson explicou: “Durant foi preso, com as costas quebradas, sofrendo ataques brutais. Seus amigos sabiam que AC/DC era a banda favorita dele, então colocaram um alto-falante em um dos helicópteros Black Hawk e tocaram ‘Hell’s Bells’ no telhado. Mesmo ferido, ele rastejou até a janela e acenou com a camisa, mostrando que estava vivo. Foi assim que conseguiram tirá-lo da prisão. Incrível, não é?”

Por fim, então enquanto o AC/DC não chega, vamos ficar com “Hell´s Bells”.