“Mama, I’m Coming Home”: a emocionante homenagem de Ozzy a esposa Sharon

Canção foi uma das últimas cantadas pelo vocalista. 

“Mama, I’m Coming Home” é muito mais do que um dos maiores sucessos de Ozzy Osbourne — é uma carta aberta de amor e gratidão à mulher que o acompanhou nos momentos mais turbulentos da vida: Sharon Osbourne. Composta em parceria com Zakk Wylde e letra escrita por Lemmy Kilmister, do Motörhead, a canção revela o lado mais sensível e vulnerável do eterno “Príncipe das Trevas”.

Lançada no álbum No More Tears (1991), a faixa se tornou um marco na carreira de Ozzy. Afinal, mostrou ao mundo que o roqueiro conhecido por sua imagem sombria também era capaz de entregar emoção pura e sincera em forma de música.

A história por trás da canção

Ozzy e Sharon se conheceram quando o pai dela, Don Arden, era empresário do Black Sabbath. Mais tarde, após o casamento, Sharon comprou o contrato de Ozzy e se tornou sua empresária — e também seu alicerce. Conhecida sobretudo, por sua inteligência, força e visão de negócios, ela foi responsável por idealizar o Ozzfest, festival que levou o metal a um novo patamar popular.

Na coletânea The Ozzman Cometh (1997), Ozzy revelou que o título da música vinha de uma frase que ele costumava dizer para Sharon ao telefone, durante as longas turnês: “Mama, I’m coming home.”

Uma nova fase para Ozzy Osbourne

Antes de gravar a música, Ozzy abandonou o álcool e as drogas — uma mudança que ele credita a Sharon. Em diversas entrevistas, o cantor admitiu que provavelmente estaria morto se não tivesse ficado sóbrio. A composição marcou um momento de transição em sua vida pessoal e artística.

A canção se destacou por seu tom mais introspectivo e melódico, diferente das faixas mais pesadas que dominaram os álbuns anteriores do cantor. Ainda assim, foi bem recebida por fãs e rádios de rock, alcançando o Top 40 da Billboard — uma raridade para baladas de metal — e vendendo mais de 4 milhões de cópias nos Estados Unidos.

Lemmy escreveu em 2 horas: “Não são boas letras, são incríveis”

O lendário Lemmy Kilmister escreveu a letra de “Mama, I’m Coming Home” em apenas duas horas, segundo o próprio Ozzy. “Ele me mandou três versões diferentes. Ele escreve como se estivesse anotando um bilhete. E o resultado não é bom — é incrível”, contou Ozzy à Mojo Magazine.

Lemmy co-escreveu outras três músicas do álbum No More Tears: “Hellraiser”, “I Don’t Want to Change the World” e “Desire”.

O solo mais simples — e mais marcante — de Zakk Wylde

Zakk Wylde escreveu a música ao piano, e a versão final contou com uma introdução marcante no violão de 12 cordas, que se tornou imediatamente reconhecível. O guitarrista declarou que o solo é tão simples que poderia tocá-lo dormindo — um elogio à beleza e eficácia de sua construção.

O videoclipe, dirigido por Samuel Bayer (o mesmo de “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana), apostou em um tom sépia melancólico que combinou perfeitamente com a atmosfera da canção.

Um hino de soldados e homenagens de artistas

Lançada pouco após o início da Guerra do Golfo, em 1991, “Mama, I’m Coming Home” se tornou uma música de forte apelo emocional para soldados que enviavam a faixa às esposas e famílias. Ozzy confirmou o impacto da canção em reedições posteriores do álbum.

E acima de tudo, a influência da música atravessou gêneros. Como por exemplo, em 2022, a cantora Carrie Underwood gravou uma versão country da faixa no Apple Music Sessions EP. Dizendo: “Sempre achei que essa música tinha alma country. É uma das minhas favoritas de todos os tempos”.

Em 2024, Jelly Roll cantou “Mama, I’m Coming Home” na cerimônia que introduziu Ozzy como artista solo no Rock and Roll Hall of Fame (ele já havia sido incluído em 2006 com o Black Sabbath).

A última canção de Ozzy no palco

A música ganhou um significado ainda mais profundo em 2025, quando foi incluída no último show da carreira de Ozzy — o “Back To The Beginning”, realizado em Birmingham, sua cidade natal. No evento, os quatro membros originais do Black Sabbath se reuniram pela última vez. Com Parkinson e aos 76 anos, Ozzy mal conseguia cantar. Mas sua emoção foi comparada à de Joni Mitchell nas performances tardias de “Both Sides Now”. Por fim, o vocalista faleceu nesta terça-feira, 22 de julho.