Pink Floyd em Veneza: o show gratuito que reuniu 200 mil pessoas e derrubou o prefeito

Multidão nos canais, caos no lixo e tensão política: o show do Pink Floyd em Veneza, em 1989 entrou pra história do rock.

No dia 15 de julho de 1989, o Pink Floyd fez história ao realizar um dos shows mais icônicos da música: uma apresentação gratuita na cidade de Veneza, na Itália. O espetáculo atraiu cerca de 200 mil pessoas, que assistiram ao show de barcos, gôndolas e sacadas à beira dos canais. A apresentação foi transmitida ao vivo pela televisão italiana, alcançando um público estimado em 100 milhões de espectadores ao redor do mundo.

Apesar do impacto cultural e visual inesquecível, nem tudo foi festa.

Patrimônio em risco e cidade em alerta

Autoridades e moradores mais conservadores expressaram grande preocupação com o evento, temendo que o patrimônio histórico da cidade fosse danificado. A principal exigência feita à banda foi a redução do volume do som — pedido que foi atendido.

Como relata Nick Mason em sua autobiografia “Inside Out: minha história com o Pink Floyd”, havia uma clara divisão entre os que apoiavam o espetáculo e os que o condenavam:

“Havia duas facções opostas: uma delas estava encantada, a outra estava convencida de que faríamos o que mil anos de água não tinham conseguido fazer, afundar a cidade em uma única tarde.”

A tensão foi tanta que a prefeitura de Veneza proibiu a circulação de turistas, pediu aos lojistas que fechassem seus comércios e, numa medida polêmica, retirou os banheiros químicos e lixeiras previamente instaladas. O resultado foi um acúmulo de lixo sem precedentes: 300 toneladas de resíduos e 500 metros cúbicos de garrafas vazias deixadas nas ruas e canais da cidade.

Contudo, a comoção pública foi tamanha que culminou na renúncia do prefeito Antonio Casellati, pressionado pela repercussão, talvez não da realização do show, mas quanto as atitudes da prefeitura na tentativa de prejudicar o evento e a cidade. 

Pressões, blefes e uma plateia revoltada

Nem o sindicato dos gondoleiros ficou de fora da polêmica. Eles exigiram que a banda pagasse US$ 10 mil ameaçando soprar apitos durante toda a apresentação. No entanto, como revelou Mason:

“Era um blefe que podíamos pagar para ver, nunca ouvi um apito que fosse capaz de sobressair ao barulho que conseguimos fazer”.

O palco flutuante estava montado sobre uma barcaça. Entretanto, segundo as leis locais, qualquer tentativa de mover a estrutura implicaria em pagamento de impostos à Marinha italiana.

Outro episódio curioso ocorreu quando uma embarcação real, repleta de autoridades italianas, coberta de luzes e oferecendo um jantar requintado, estacionou bem em frente ao palco, bloqueando a visão de parte do público. A multidão reagiu com indignação, jogando garrafas e lixo em direção ao barco.
Mason relembra a cena surreal:

“Os garçons defendiam seus patrões, usando bandejas de prata como escudo, parecendo centuriões romanos”. Conforme contou.

Sendo assim, o barco, então, teve que mudar de posição para evitar mais confrontos.

Um show histórico em meio ao caos

Mesmo sem Roger Waters, o Pink Floyd encantou o público como parte da turnê do álbum “A Momentary Lapse of Reason” (1987). De Veneza, a banda seguiu rumo a Moscou, onde outro episódio curioso viria a acontecer — mas essa é uma história para outro dia.

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