Jimmy Page criou trilha para filme com Charles Bronson na década de 80
Músico compôs a trilha sonora do filme, “Desejo de Matar” 2 em 1982
Após a morte de John Bonham, baterista do Led Zeppelin, Jimmy Page mergulhou em um período de luto profundo. Sem motivação para compor ou sequer tocar, o guitarrista se afastou completamente da música. No entanto, em um momento de iniciativa própria, Page decidiu encarar o desafio de voltar à ativa, como contou no livro “Led Zeppelin: quando os gigantes caminhavam sobre a terra”.
“Um dia telefonei para o meu empresário, e disse, ‘tire a Les Paul do armário’.” Porém, ao procurar o instrumento, a surpresa: a caixa estava vazia. Alguém havia levado a guitarra. Para Page, aquilo parecia um mau presságio. “É isso, esqueça, acabou.” Felizmente, a guitarra foi encontrada pouco tempo depois, sinalizando um novo começo.
Uma das primeiras produções de Jimmy Page após o fim do Led Zeppelin foi a trilha sonora do filme Desejo de Matar 2, dirigido por Michael Winner e estrelado por Charles Bronson. A composição uniu ideias recicladas que mais tarde dariam origem à música “In The Evening” e também a “Prelúdio nº 3 em sol#”, uma peça de Chopin acelerada na guitarra, rebatizada simplesmente como “prelúdio”.
Contudo, apesar da energia criativa envolvida, tanto o filme quanto a trilha sonora foram praticamente ignorados pela crítica em 1982, época em que a New Wave dominava as paradas musicais. Ouça:
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No ano seguinte, em 1983, Jimmy Page voltou aos palcos em um momento marcante: tocou um instrumental de “Stairway To Heaven” no concerto beneficente ARMS (Action into Research for Multiple Sclerosis), realizado no Royal Albert Hall, a convite do amigo Eric Clapton.
Uma curiosidade pouco conhecida sobre essa apresentação acabou relatada por Dave Dickson. Page estava tão afetado pelo uso de heroína que mal conseguia formular uma frase com coesão, além de estar visivelmente pálido e magro.
No entanto, apesar dos desafios, o início dos anos 80 marcou um ponto de virada. Jimmy Page conseguiu abandonar o vício e voltou a se dedicar à música. Ele chegou a colaborar com Paul Rodgers, vocalista do Free, e encontrou no amigo um grande apoio nesse processo de recuperação. “Paul era uma das poucas pessoas que talvez entendessem o que eu estava passando”. Conforme relembrou Page.