Led Zeppelin em 1977, a turnê marcada por confusões e shows históricos.

O Led Zeppelin cruzou os EUA em 1977 com uma turnê explosiva, marcada por brigas, prisões, polêmicas e shows lendários

Foto: Jim Summaria, CC BY-SA 3.0

Durante a turnê de 1977 pelos Estados Unidos, tudo indicava que o Led Zeppelin teria uma temporada mais tranquila. A previsão esperava shows bem organizados, sem polêmicas com brigas, excessos ou confusão com fãs — e muito menos problemas com a justiça. As apresentações começaram no Texas, onde a banda encontrou os integrantes do Bad Company. Na ocasião, convidaram o guitarrista Mick Ralphs para uma participação especial, tocando a clássica “I’ll Be Me”, de Jerry Lee Lewis.

No entanto, a calmaria durou pouco. Logo após o show, os excessos começaram. Bebedeiras e destruição de quartos de hotel voltaram à rotina da banda. A situação foi tão extrema que o promotor local descreveu a passagem do Led Zeppelin pela cidade como um verdadeiro “Holocausto Nuclear”.

Led Zeppelin na embaixada russa e o mistério da Guerra Fria

Um fato curioso da turnê de 1977 foi o convite inesperado que a banda recebeu da Embaixada Russa, em Maryland. Imaginando que poderia rolar um contrato para uma histórica apresentação na então União Soviética, em pleno auge da Guerra Fria, os integrantes aceitaram o convite. No entanto, o pedido era apenas para uma performance restrita a um grupo de diplomatas. A banda tocou a emblemática “No Quarter”, surpreendendo os presentes.

Caos e prejuízo no show de Houston

No dia 21 de maio, o Led Zeppelin se apresentou em Houston, mas o evento ficou marcado por uma enorme confusão. A estimativa é de que o prejuízo tenha chegado a 500 mil dólares. Cerca de 40 pessoas foram presas, acusadas de desordem e tráfico de drogas. O caos foi generalizado, colocando em risco a continuidade da turnê.

Robert Plant comentou sobre os acontecimentos em entrevista:“Eu vejo muita loucura ao nosso redor.”

E, de fato, parecia que a banda atraía o caos — ou era perseguida por ele. Em Tampa, por exemplo, o show foi interrompido por uma tempestade. Apesar do aviso impresso nos ingressos — “Com chuva ou com sol” — o empresário Peter Grant não queria que o grupo tocasse nessas condições. Isso porque anos antes, o guitarrista Les Harvey, da banda Stone The Crows, havia sido eletrocutado durante uma apresentação chuvosa.

A banda acabou retirada do local em uma limusine, escoltada por 40 policiais. Mesmo assim, a multidão perdeu o controle, arremessando garrafas e objetos contra as forças de segurança. O tumulto foi tão grande que a empresa responsável pelo evento, a Concert West, divulgou uma nota nos jornais, isentando o Led Zeppelin de qualquer responsabilidade. O saldo foi alarmante: 60 fãs e 12 policiais hospitalizados.

Reflexões de Robert Plant: entre o sucesso e a destruição

Na biografia “Led Zeppelin: Quando os Deuses Caminhavam Sob a Terra”, Robert Plant revelou:

“De alguma maneira, geramos e propagamos isto. E esse é um aspecto que fez pensar se não estamos fazendo mais mal do que bem. Isso é muito importante para mim. O que estamos tentando passar é positivo e saudável? A essência de sobrevivência da banda é quase um símbolo da fênix. As pessoas reagem de maneira tão excitada que perdem o sentido de tudo isso, isto me faz perder a calma. Eu fico irritado.”

Apoteose em Nova Iorque.

Apenas três dias após o episódio em Tampa, o Led Zeppelin iniciou uma sequência de seis shows no Madison Square Garden, em Nova Iorque. As apresentações foram o ponto alto da turnê. O setlist incluiu músicas que estavam fora dos shows há anos, como “Heartbreaker” e “Over the Hills and Far Away”. Em um momento especial, Plant tocou “In My Time of Dying” em homenagem à rainha Elizabeth II, que celebrava seu jubileu de prata.

Entre os famosos presentes na plateia estavam Faye Dunaway, Ronnie Wood, Mick Jagger e Keith Richards. Durante um dos shows, Jimmy Page teve a mão atingida por fogos de artifício, mas voltou ao palco após receber curativos.

Los Angeles, Keith Moon e os bastidores exagerados

Após Nova Iorque, a banda seguiu para Los Angeles. Jimmy Page deu uma entrevista polêmica na época, aparecendo visivelmente debilitado — pálido, murmurando e magro. Apesar disso, os shows seguiram o alto padrão, com uma participação lendária de Keith Moon, do The Who. Moon subiu ao palco para tocar um solo de bateria em “Moby Dick”, além de participar de “Whole Lotta Love”, “Rock and Roll” e ainda cantar “C’mon Everybody”, de Eddie Cochran, ao lado de Plant.

Fora do palco, como de costume, Keith Moon e John Bonham exageraram na bebida. Bonham chegou a passar vergonha durante uma apresentação íntima, ao tentar tocar bateria na música “Supernova”, do ELO. Bev Bevan, baterista da banda, relatou que, enquanto os músicos bebiam whisky, Bonham tomava até seis Alexander’s seguidos.

Foi também nessa época que aconteceu o famoso desaparecimento de 10 mil dólares do caixa da turnê. Peter Cole, gerente da equipe, descobriu posteriormente que o valor acabou gasto com drogas.

O retorno à Inglaterra e o fim da primeira fase da turnê

Por fim, após os tumultuados shows, o Led Zeppelin retornou à Inglaterra. Entretanto, a banda voltaria aos palcos americanos em julho de 1977, ainda cercada por polêmicas. E Sobretudo, lendas e um legado que se misturava ao caos.