Quem pintou o piano psicodélico de Paul McCartney? Conheça a história.
Piano psicodélico de Paul McCartney acompanha o músico desde 1966.
Paul McCartney tinha uma sala de música em sua casa localizada na Cavendish Avenue, St. John’s Wood, Londres. O espaço contava com gravadores, microfones e um piano Knight, conhecido como piano armário. McCartney já havia pedido a Barry Miles que indicasse um artista para pintar uma porta renascentista que tinha no local. Miles sugeriu Peter Simpson, que entregou a peça com as cores desejadas por Paul em duas semanas.
Foi então que McCartney teve a ideia de pintar seu piano armário, adquirido em 1966, usado para compor sucessos como “Getting Better”, “Penny Lane” e “Hey Jude”.
“Era um piano Knight que eu mandei pintarem, tinha pouco comprimento e estão mais para um piano de cabaré, mas são muito cômodos. Enfim, pintaram o piano, que ainda é o meu piano mágico”.
Os artista escolhidos para realizar a arte colorida em forma de arco-íris foram, Dudley Edwards, Douglas Binder e David Vaughan, indicados por Tara Brown, amiga de Paul. Vaughan já havia pintado o Buick 6 de Tara, trabalho que impressionou McCartney.
Alunos da escola de artes.
Vaughan estudou na Escola de Artes de Londres desde pequeno, conforme relatado em “Many Years From Now”, biografia de McCartney escrita por Barry Miles. Ele compartilhou sua visão artística:
“Desde muito garoto eu já conseguia visualizar anjos espalhados ao redor das portas. Queria uma arte pública, mosaicos, pátios com estátuas, a ânsia por alguma coisa que era diferente da realidade que era um nada total, sem nenhuma cultura. Eu queria usar a tinta para derrubar o sistema”.
Inspirado, McCartney decidiu redecorar tudo com cores psicodélicas, lembrando os clubes juvenis do norte da Inglaterra. No entanto, ele e Vaughan tiveram algumas divergências durante o processo criativo. Paul relembrou:
“Tivemos alguns bate-bocas por causa disso. Ele costumava dar sermões, dizendo: O problema com você é que já veio pra cá brigando’. Eu respondia: De jeito nenhum’. E ele rebatia: Veio sim’. E eu perguntava: E o piano, quando fica pronto?’”.
Um fundo para o piano.
A pintura do piano foi um desafio, pois o instrumento não tinha fundo. Foi necessário adicionar um tampão de madeira e preparar a superfície antes de pintar um sol radiante. Mesmo com Paul pressionando pela entrega, Vaughan precisou de mais tempo:
“Ele disse que queria o piano para a noite daquele mesmo dia. Respondi: `Bom, ele está pronto, mas você não vai poder usá-lo hoje à noite porque ele precisa ser afinado’”.
O orçamento inicial de 250 libras foi ajustado para 300 libras devido à inclusão do fundo, o que gerou reclamações de Paul, conhecido por ser econômico. Vaughan explicou:
“Não estou tentando roubar você só porque tem alguma grana. Estou dizendo apenas que no primeiro orçamento não se incluía o fundo. Vai custar um adicional só isso”.
Ficou uma Amizade.
David Vaughan se tornou um visitante frequente da casa de McCartney, levando os filhos para brincar. Paul também levava as crianças ao zoológico de Londres e, em uma ocasião, Vaughan passou férias com a família de McCartney em Kintyre, Escócia.
O piano original, pintado por David Vaughan, permanece na Cavendish Avenue. O instrumento que Paul utiliza em suas turnês e shows é uma réplica feita em 1990, como o usado na edição de 50 anos do Saturday Night Live. Vaughan, que também trabalhou para John Lennon, Bob Dylan, David Beckham e Jude Law. Por fim, ele faleceu em 3 de dezembro de 2003, enquanto aguardava um transplante de fígado.