David Bowie e sua visão futurista: a internet e o fim do vício em drogas
Em 1999, Bowie falou sobre sua luta contra as drogas e antecipou com precisão o impacto da internet na sociedade
Roger Woolman, CC BY 3.0
David Bowie, mesmo após sua morte em 10 de janeiro de 2016, continua a influenciar gerações de roqueiros e artistas. Seja através de sua música, que transitou por gêneros como folk, rock, pop e música eletrônica, ou por sua atuação no cinema em filmes como o polêmico “A Última Tentação de Cristo”, no qual interpretou Pôncio Pilatos, e “O Homem que Caiu na Terra” (1976).
Em busca de uma visão mais pessoal do artista, resgatamos uma entrevista de novembro de 1999, em que Bowie conversa com o jornalista Jeremy Paxman, da BBC. Dois temas se destacam: a decisão do músico de abandonar o uso de drogas e álcool, e sua visão quase profética sobre o futuro da internet, que na época ainda não era amplamente acessível.
Em certo ponto, Jeremy pergunta se Bowie ainda usava drogas, ao que ele responde de forma enfática:
“Não, absolutamente não. Quando você está usando drogas é muito difícil o relacionamento, pra mim pessoalmente. Você fica recluso, não receptivo, insensível, todas as coisas terríveis que já ouviu outros cantores pop dizerem. E eu também não bebo”.
Contudo, o jornalista insiste: “Nem um copo de vinho?”. E David responde: “Não, isso me mataria. Eu sou alcoólatra, então seria um beijo da morte voltar a beber. Minha relação com meus amigos, minha família, todos ao meu redor está tão boa e tem sido assim por tantos anos que eu não faria nada para destruir isso de novo. E eu tive muita sorte de sair dessa, tem sido bom pra mim, reavaliei tudo isso muitas vezes”. Conforme relatou.
Profecia sobre a internet.
Quando a conversa se volta para a internet, Bowie demonstra uma visão impressionante para a época. Ele previu com exatidão o surgimento de plataformas como Spotify e Deezer, além do impacto das tecnologias digitais no consumo de música.
“O que a internet poderá fazer com a sociedade, de bom e ruim, é inimaginável”, disse Bowie. E continuou: “Do meu ponto de vista, como artista, vejo uma nova construção. Penso que há um colapso em que o público é pelo menos tão importante quanto quem está tocando. É quase como se o artista fosse acompanhar o público”.
De fato, Bowie acertou: hoje, plataformas de streaming recomendam músicas e artistas de acordo com os gostos dos usuários por meio de algoritmos.
“Nem vimos a ponta do iceberg. Estamos à beira de algo divertido e aterrorizante”, previu Bowie. Ele ainda fez uma brincadeira com o título de uma de suas músicas, “Life On Mars?”: “Se existe vida em Marte? Sim, acabou de desembarcar aqui. O contexto real e o conteúdo propagado serão diferentes de tudo o que imaginamos no momento”.
Por fim, confira a entrevista completa para entender mais dessa conversa visionária.