Discos e bandas de rock

The Beatles: há 56 anos morria Brian Epstein. Seria o primeiro elo para o fim da banda.

Brian Epstein, empresário dos Beatles, foi o responsável por colocar a banda no topo do mundo, sendo considerado inclusive, por muitos, como o 5º beatle.

Por Sandro Abecassis

Em 27 de agosto de 1967, morria em Londres, aos 32 anos, o empresário dos Beatles, Brian Epstein. A causa da morte foi um acidente, resultante da mistura de um remédio para insônia com álcool e não suicídio.

A morte de Brian foi o primeiro elo que levaria ao fim da banda em 1970.

Mas vamos conhecer a história de Brian, considerado por muitos como o “quinto Beatle”. Brian Epstein nasceu em 19 de setembro de 1934 em Liverpool. Seu avô judeu, Isaac, veio da Lituânia para a Inglaterra em 1890 e fundou uma loja de móveis, expandindo depois os negócios para uma loja de instrumentos musicais e discos.

Os pais de Brian, Harry e Malka (conhecida como Queenie), tocaram os negócios da família e, durante a guerra, mudaram-se para outros lugares de Liverpool para fugir dos ataques alemães. Brian tinha também um irmão chamado Clive.

Durante a infância e adolescência, Brian passou por vários internatos e não era uma pessoa de personalidade fácil. Tinha o desejo de ser designer de moda, mas seu pai não aceitou, e ele começou a trabalhar na loja da família. Logo depois, serviu o exército britânico em 1951. Na segunda metade dos anos 50, Brian obteve permissão do pai para estudar teatro em Londres; no entanto, não obteve sucesso nos exames e retornou a Liverpool, assumindo a loja de discos NEMS.

 Entre os empregados da loja estavam Peter Brown, que se tornaria assistente e assessor de comunicação dos Beatles no futuro, e Alistair Taylor, que também trabalharia com os Beatles na equipe de Brian.

Desfazendo mitos.

Alistair Taylor, que seria chamado pelos Beatles de Mr. Fixit, por dar jeito para tudo, teve papel crucial no encontro entre os Beatles e Brian Epstein. Ele inventou a história de um rapaz chamado Raymond Jones que havia solicitado o disco “My Bonnie”, gravado pelos Beatles com Tony Sheridan em Hamburgo. Taylor assinou “Raymond Jones” na lista de pedidos para Brian encomendar o álbum.

Brian escrevia para o Mersey Beat, e o jornal era vendido na NEMS. Segundo a biografia de Paul McCartney, escrita por Phillip Norman, ele já havia conversado sobre a banda com o editor Bill Harry.

The Beatles: saiba as curiosidades por trás do álbum Abbey Road

Sabe-se que Epstein enviou Taylor para avaliar os rapazes que já eram famosos na Mathew Street. Dessa forma, Taylor foi e, em 9 de novembro de 1961, convidou Brian para assistir aos Beatles no Cavern.

No Cavern, Brian foi tratado como VIP, ficou impressionado com a desenvoltura, bom humor e personalidade do grupo no palco. Após o show, reuniu-se com a banda e as próximas reuniões seriam para empresariá-los. Portanto, o resto é história.

A Morte de Brian

Brian era homossexual, e na Inglaterra e País de Gales, na época, manter relações homossexuais era crime. Curiosamente, essa lei foi revogada no mesmo ano da morte de Brian, 1967.

m 23 de agosto, durante as gravações de “Your Mother Should Know”, aconteceu o último encontro dos Beatles com Brian Epstein. Na ocasião, os três Beatles, exceto Ringo (pois seu filho Jason havia acabado de nascer), foram para Bangor, no País de Gales, para ver a palestra do Maharishi Yogi e convidaram o empresário.

Brian disse que iria depois, pois tinha um compromisso com Peter Brown e Geoffrey Ellis, ambos homossexuais. Os três planejavam ir para a casa de campo de Epstein.

O trio tinha um encontro com alguns rapazes para passar dias juntos, mas eles tomaram “bolo” e Brian retornou a Londres para seu apartamento na 24 Chapel Street, deixando Geoffrey e Peter na casa de campo.

Brian tinha o hábito de procurar parceiros sexuais com interesse em atividades sexuais cheia de aventuras, e esses dias não foram diferentes. No entanto, ele estava passando por um período conturbado, já que as turnês dos Beatles haviam terminado cerca de um ano antes. Epstein estava mais concentrado em questões burocráticas da banda. Além disso, seu pai Harry havia falecido meses antes, e sua mãe, Queenie, estava sob os cuidados de seu irmão Clive.

Último contato

Em 25 de agosto, Peter Brown telefonou para Brian perguntando se ele voltaria para a casa de campo. O empresário afirmou que sim, mas que iria descansar pois havia tomado remédios para dormir.

Na casa da Chapel Street, Brian tinha um mordomo espanhol chamado Antônio e sua esposa, a governanta Maria. Na manhã de 26 de agosto, Antônio notou que o carro de Epstein, um Bentley, estava estacionado na calçada ao lado da casa, o que não era comum. No entanto, ele não deu importância, já que Brian às vezes ficava off por 24 horas.

Na manhã de 27 de agosto, a mesma cena se repetiu. Os funcionários então ligaram para a secretária de Brian Epstein, Joane Petersen, e ela, achando estranho, entrou em contato com Peter Brown. Preocupado com o sumiço de 48 horas, Peter chamou o médico de Brian, John Galway, e juntos foram à casa de Brian.

Como Brian não respondia aos chamados na porta do quarto, decidiram arrombá-la. Encontraram Brian deitado de bruços, com sangue saindo do nariz e da boca, e sem sinais vitais. Brian estava morto.

 

A primeira providência foi avisar Peter Brown para proteger a mãe de Brian, pois ela ainda estava em luto pelo marido e não deveria saber da morte pela imprensa. Essa tarefa ficou com Clive Epstein, para que a mãe continuasse sem saber.

A ligação para os Beatles.

Outra comunicação foi feita para John, Paul e George. Peter Brown conseguiu um número para falar com os três em Bangor, e Jane Asher, namorada de Paul, atendeu. Peter deu a notícia para McCartney, que a transmitiu aos outros três.

Os Beatles ficaram extremamente chocados, como se tivessem perdido um pai. Logo após a notícia, a imprensa já estava cobrindo o acontecimento, e existe uma famosa entrevista com John Lennon, visivelmente perturbado, sem saber o que dizer aos repórteres. George Harrison era o mais centrado naquela ocasião.

Naquele momento, a relação dos Beatles com Epstein estava sendo reavaliada devido a contatos que Brian havia feito incorretamente e que geravam pouco lucro para a banda. Brian até considerou passar a gestão do grupo para o empresário dos Bee Gees. Entretanto, na época, os quatro afirmaram a Brian que jamais permitiriam ser empresariados por outra pessoa.

A presença dos Beatles no enterro e velório de Brian Epstein foi discreta, na casa de Queenie e Clive. No dia do enterro, no cemitério judeu de Liverpool, Walton Hebrew Burial Ground,  George Harrison trouxe um crisântemo para colocar na tampa do caixão. Contudo, como Brian era judeu, flores não eram apropriadas, sendo mais adequado usar pedras. Através de Alistair Taylor e Joanne, George conseguiu colocar o crisântemo depois de algumas pás de areia cobrirem o caixão. O crisântemo é conhecido como “flor de ouro” e simboliza simplicidade e perfeição, também sendo considerado um mediador entre o céu e a terra.

Brian presente

Um estátua de bronze de Brian Epstein foi inaugurada em 2022 na frente onde ficava a NEMS em Liverpool, além do mais está sendo produzido o filme “Midas Man”, que fala sobre a vida do empresário.

Por fim, Queenie Epstein viu morrer os dois filhos, Brian em 1967 e Clive em 1988. Queenie morreu em 1996 aos 82 anos. 

Fonte: canal The Beatles School /  Paul McCartney – Phillip Norman

Sandro Abecassis

Publicitário, radialista, músico e apaixonado por rock, literatura e histórias curiosas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *