Paul McCartney exalta seu amor pelo Brasil na Conversa Com Bial.

Paul McCartney está no Brasil em sua 10º passagem pelo país, no domingo dia 16 de dezembro, quando o Beatle pisar no estádio do Maracanã no Rio de Janeiro, será o seu show número 36 por aqui. 

A chegada de Paul em 2023 trouxe inúmeras surpresas, como por exemplo a apresentação de última hora para algumas centenas de pessoas em Brasília no Clube do Choro. Além de encontrar com músicos brasileiros da casa. E obviamente, a primeira apresentação em Brasília para cerca de 55 mil pessoas, recheado de sucessos, como “Can’t Buy Me Love”, “Live And Let Die”, “Hey Jude”, “Let It Be” e muitas outras. 

E se você não gosta dos Beatles, problema seu. Afinal, até meados de dezembro, Macca, de 81 anos, estará nas principais manchetes do Brasil. Dessa forma, na última sexta-feira, 01, ele foi entrevistado por Pedro Bial no programa da Rede Globo, Conversa Com Bial.

Então, transcrevemos grande parte da entrevista para você ler. Confira

Em tom descontraído Bial perguntou para Paul se alguém o chama de “Sir”, título concedido pela Rainha Elizabeth II em 1997. Paul respondeu: “Chama, mas eu não me importo que me chamem de Paul, é o meu nome”. Ainda sobre os vários nomes pelo qual McCartney é conhecido, Pedro Bial, questionou se alguém o chama de “Macca”. “Me chamam de Macca, era o meu apelido na escola”. 

Durante a conversa, Pedro Bial lembrou lembrou Paul sobre o dia que conversou com ele pessoalmente em Londres em 1989, quando o ex-Beatle lançava o álbum, “Flowers In The Dirt”. Onde uma das canções, “How Many People”, homenageia o ambientalista brasileiro, Chico Mendes, morto um ano antes. Bial perguntou se Paul acha que houve avanço nas políticas ambientais desde lá.

 “Eu acho que sim, os avanços são lentos e levam muito tempo. E quando temos um bom líder ele às vezes pode ajudar. Então, vamos torcer para o novo líder de vocês ser bom em relação às mudanças climáticas e a ecologia”. Disse de forma polida McCartney.

Décima vinda ao Brasil.

Bial comentou com Paul sobre a décima vinda dele ao Brasil, e questionou se ele acordasse em um quarto de hotel, como saberia que está no Brasil? “Bom, quando faço o check-in, vejo onde o hotel fica. Mas é diferente, o barulho dos pássaros é diferente. Então, a gente acorda ao som de diferentes pássaros. Eu já acordei ao som de bongôs no jardim, um pessoal tocando bongôs. Dá para saber que é o Brasil. Nós adoramos o Brasil. É um país lindo, e as pessoas são muito lindas”. 

McCartney ainda comentou sobre a conexão que existe com o País. “O Brasil adora música brasileira, adoram a música nacional. Eu adoro minhas músicas e elas amam minha música. Então é uma grande conexão. E nesta época do ano, devo admitir que a Inglaterra está fria e úmida e o Brasil está lindo, então é um outro ponto positivo”.

Pedro Bial voltou ao período dos Beatles perguntou a Paul McCartney se ele lembra de algum plano da banda em tocar no Brasil nos anos 60. 

“Olha a verdade Pedro, é que nós simplesmente ouvíamos nosso agente. Nosso agente na época dizia: `vocês vão para o Japão”. E nós dizíamos, `Ok. E nós íamos para o Japão. Então se ele nunca mencionasse o Brasil, nós nunca iríamos. Mas hoje, a escolha é minha. Eu posso dizer para o meu produtor: `quero ir para o Brasil, é possível?` Então ele pode ligar para o produtor brasileiro e dizer: `Ei, a gente pode ir aí?“. Conforme lembra.

Bial citou se a Bossa foi o primeiro sinal do Brasil que ele teve, Macca respondeu: “É, acho que foi. Nos anos 60 havia muita bossa nova, muita música boa saindo do Brasil. E havia grandes músicos e gostei do fato de que alguns deles fizeram covers das minhas músicas e as transformaram em músicas com uma sonoridade brasileira, puseram o ritmo brasileiro nelas. Para mim foi um grande elogio”.

O cantor brasileiro Sérgio Mendes fez nos anos 70 uma versão de “Fool On The Hill”, composição de McCartney para o Magical Mystery Tour. 

A respeito do fato de se ele conhecia alguma banda de rock brasileira, o baixista falou que sim, mas foi bem superficial. “Eu já ouvi bandas brasileiras. Eu vi, não vou lembrar o nome dela agora, mas eu fui ver um cara em Nova Iorque que era muito bom, eu adorei as músicas dele. Mas eu já vi algumas bandas brasileiras e elas são muito boas”. 

Lizzie Bravo e Os Beatles.

Com uma condução excelente, e mostrando conhecer a história dos Beatles, Bial perguntou se McCartney lembra da cantora brasileira Lizzie Bravo, que por volta de 1969 acampava junto com outras fãs da banda na porta do estúdio Abbey Road em Londres, e um dia, Paul saiu a porta e perguntou se alguma delas conseguia fazer uma nota aguda. Lizzie se apresentou e acabou gravando com Os Beatles a faixa, “Across The Universe”. Como confirmou McCartney, “Eu me lembro disso, foi ótimo, a gente queria que alguém cantasse esse refrão e elas fizeram isso muito bem. Elas eram ótimas”.

A descontração da entrevista seguiu com Bial lembrando a passagem de Paul por Goiânia em 2013, quando grilos invadiram o palco enquanto ele cantava “The Long And Winding Road” e McCartney brincou com os insetos e apelidou um deles de Harold.

“Acho que o que aconteceu foi que todos aqueles grilos estavam no telão, tinham sido atraídos pelas luzes. Então havia milhares deles no telão. Nós tocamos Live And Let Die e com a explosão, todos voaram. E vários deles pousaram em mim. E eu tive que continuar. Por sorte, eu não me importo. Não sou daquele que tem medo de insetos. Eu até gostei”. Lembrou Paul. 

Bial questinou se ele costumava ficar emocionado no palco. 

“As vezes sim, me lembro de alguns momentos. Acho que foi no Brasil também. Havia um homem alto, que obviamente era o pai. Tinha cabelo preto e barba, era um homem bonito. Ele estava com a filha nos braços. E eu acho que eu estava cantando, “Let It Be”, e eles estavam se olhando, ela olhando para o pai e ele olhando para ela. E era um olhar muito amoroso. Então, isso me emocionou. Eu estava olhando para os dois. E eu senti a emoção, foi muito bonito”. 

“Day Tripper” é uma canção sobre sexo e drogas dos Beatles.

Primeira vez no Maracanã em 1990

E acima de tudo não poderia deixar de falar sobre a primeira vez dele no Brasil no Maracanã, em 1990. Naquela ocasião, os dois shows reuniram ao todo 180 mil pessoas. E Pedro Bial foi mais atrás, comentando a respeito da lendária primeira apresentação do músico em um estádio, o Shea Stadium em 1965 com Os Beatles.O Shea Stadium foi o primeiro grande show num estádio, o que nós fizemos e que basicamente qualquer um fez. E foi muito especial, com um público incrível. Mas o sistema de som era tão ruim, que a gente não se ouvia, (paul imita o grito dos fãs), mas foi divertido”.

Paul ainda lembrou sobre o dia que tocou no estádio do Maracanã em 1990. “Nós chegamos uns dias antes e o tempo estava muito ruim. O céu estava fechado, estava chovendo o tempo todo, e nós estávamos olhando e eu perguntei: “qual é a previsão para o show?”. E todos diziam não saber. Fizemos uma coletiva de imprensa e todos os jornalistas perguntaram: “Paul, o que você vai fazer se chover?”. Eu falei, não vai chover”. Claro, eu não sabia, mas falei que não ia chover. Estava muito confiante. E cerca de 1h antes de eu subir no palco, parou de chover”. 

Paul relatou o que mais gosta quando está em turnê. “Com o passar dos anos tivemos fãs muito legais, que ouviram todas as nossas músicas e as conhecem. Algumas as conhecem melhor do que eu. Então, é muito legal tocar para eles e ver o calor que recebemos de volta. É muito bom para o coração. Então é disso que eu gosto. Adoro tocar as músicas, mas adoro a reação do público”. 

O Paul atual com o John de 1969

Um dos momentos mais emocionantes da turnê “Got Back” é quando Paul interage com John Lennon do show do telhado de 1969, durante a música, “I’ve Got A Feeling”, o baixista falou a respeito do uso da tecnologia.

“Certas tecnologias podem nos enganar e fazer as pessoas dizerem coisas que não disseram, ou podemos criar a voz de outras pessoas e dizer para o público, `Este é o Paul cantando, `God Only Knows`. E eu digo, eu nunca cantei isso. Mas quando trabalhamos com Peter Jackson, na série Get Back, ele precisava limpar alguns vocais para usar no filme. Então quando ele foi mixar as imagens, se ele tirasse uma das vozes o áudio por trás não aparecia. E ele me mostrou essa tecnologia. Foi muito legal”. Conforme falou.

 

E continuou. “Então, quando tentamos isolar a voz do John para a nova gravação de Now And Then, eu perguntei ao Peter se ele conseguiria fazer isso. E ele e a equipe dele conseguiram algo tão claro e bonito que conseguimos terminar o disco e separar a voz do John sem nada do fundo. Olhe eu posso fazer isso, com “I’ve Got a Feeling”, posso isolá-la e vocês vão poder tocá-la ao vivo. Então, Paul, você vai poder tocar ao vivo com o John. E nós fazemos isso no show agora. É um momento incrível pra mim”

Can´t Buy Me Love, as curiosidades sobre este hit dos Beatles.

Now And Then

Acima de tudo, na entrevista não poderia deixar de fora a canção Now And Then. E Paul comentou sobre a música. “Acho que é muito boa. É surpreendente porque a gente imagina que ela não conviveria bem com outros clássicos dos Beatles. Mas ela convive. Muitas pessoas disseram, `Uau`. Isso foi uma surpresa, ela soa como uma verdadeira gravação dos Beatles. Tem John no vocal, eu no baixo, Ringo na bateria, e o George na guitarra. Então, são os quatro beatles tocando juntos.E vai ser a última vez que vamos fazer isso. Infelizmente porque George não vai mais poder tocar. Mas fazer isso foi muito especial. Tinha muito amor nisso. E eu trabalhei muito Giles Martin, filho de George Martin, e ele é muito bom. E foi muito bom, ele é muito engraçado e ele me ajudou a criar o disco. 

Sobre Now And Then ser ou não uma canção dos Beatles, McCartney lembrou que o processo de composição nos anos 60 era parecido, John trazia uma canção e todos ouviam, Paul, George e Ringo também. Então, “Now And Then”, era como se John estivesse na sala ao lado. 

Bial perguntou a Paul McCartney se hoje quando se olha no espelho quem ele vê mais, seu pai Jim, ou sua mãe Mary. “Tenho um pouco da Mary, e um pouco do Jim. Puxei muito a música do Jim. Puxei muito o amor da Mary, porque ela era enfermeira. Então no espelho, gosto de pensar que vejo 50%, de cada um”. Finalizou

Por fim,  nos dias 3 e 4 de dezembro em Belo Horizonte, Minas Gerais. Assim como , 7, 9 e 10 de dezembro em São Paulo. E Por fim, em 13 de dezembro na cidade de Curitiba, no Paraná e no dia 16 no Rio de Janeiro, no Maracanã.