Led Zeppelin: “CODA”, um álbum de sobras de estúdio após a morte de John Bonham

“CODA”, um álbum de sobras, lançado após a morte de John Bonham e fim da banda.

Por Sandro Abecassis

John Bonham, baterista do Led Zeppelin morreu em 25 de setembro de 1980, asfixiado pelo seu próprio vômito depois de ingerir mais de 45 doses de vodka. 

A morte aconteceu às vésperas do início da turnê americana, com datas marcadas a partir de outubro. Até se cogitou a substituição pelo baterista Cozy Powell, que logo foi descartada. 

Em dezembro, a banda emitiu um comunicado sútil informando o fim das atividades do Led Zeppelin: “Desejamos que seja conhecido que a perda de nosso querido amigo e o profundo senso de harmonia indivisa sentido por nós e nosso gerente nos levaram a decidir que não poderíamos continuar como eram.” Conforme dizia a nota.

A partir daí, cada um seguiu seu rumo, John Paul Jones se mudou para uma fazenda mas continuou colaborando com vários artistas. Robert Plant começou as gravações do álbum solo, “Pictures At Eleven”, lançado em 1982, se distanciando do som do Led. E JImmy Page recebeu o convite de criar a trilha sonora do filme “Desejo de Matar 2”.

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Um contrato para cumprir.

No entanto, a banda ainda tinha uma obrigação contratual para gravar mais um álbum de inéditas, mas logicamente que não queria fazer. Então, a Atlantic Records começou a vasculhar sobras de materiais do disco “Physical Graffiti” (1975) e  In Through the Out Door (1979), além de materiais dos primórdios da banda.

Dessa forma, a gravadora lançou o álbum “CODA”, em novembro de 1982. Lógico, que não só os fãs mas os críticos também perceberam que aquilo era uma “raspa” de produções da banda. 

“We’re Gonna Groove”, a primeira faixa foi tirada de uma apresentação do Royal Albert Hall em 1970, e masterizada com overdubs. “Poor Torn”, uma música da fase acústica do Led. Existe uma versão de “I Can´t Quit Yo Baby”, e para encher o lado A, “Walter´s Walk”.

O melhor de “CODA”, está em sobras de materiais do disco,  In Through the Out Door , com as faixas “Ozone Baby” e “Darlene”, dois rocks, com uma pegada blues e country, afinal foram tiradas de um disco que enfatizou essa influência. 

Contudo, a melhor faixa do disco, é justamente uma homenagem a John Bonham, na faixa, “Bonzo Montreux”, gravada em 1976, onde em mais de 4 minutos o baterista improvisa uma sonzeira na bateria. Dica, ouça alto, preste atenção nas marcações do Bumbo e viradas para o surdo, é algo hipnotizante. Ouça abaixo o maravilhoso solo de improviso de John Bonham em “Bonzo Montreux”:

Independente de ser um disco de sobras e ter uma recepção fraca, “CODA”, jamais vai tirar a importância do Led Zeppelin para o rock mundial. A palavra “coda” significa o intervalo que se encerra uma música, em uma passagem de uma canção para outra, algo significativo para aquela ocasião. Por fim, o álbum abre em duas partes contendo diversas fotos da banda.