Led Zeppelin, ‘Physical Graffiti’, da lendária capa as canções memoráveis.

Em 1975, o Led Zeppelin lançava ‘Physical Graffiti’: Uma viagem a criação de mais clássicos da banda.

Por Sandro Abecassis

O álbum duplo “Physical Graffiti” do Led Zeppelin, lançado em 24 de fevereiro de 1975, é o sexto disco da banda e traz faixas antológicas como “Kashmir”, “Ten Years Gone”, “The Rover”, “Black Country Woman”, “House Of The Holy”, além da fabulosa “In My Time Of Dying”.

“Physical Graffiti” permeia entre o blues, hard rock, folk e o som indiano.

 

Uma curiosidade sobre o álbum é que era para ter sido lançado no ano anterior; no entanto, o conceito de produção da arte da capa complexa, criada por Peter Corriston, atrasou o processo.

O prédio escolhido para a capa está localizado em Nova Iorque, nos números 96-98 St. Mark’s Place, no East Village de Nova York. O edifício de cinco andares teria que caber no formato do disco.

As janelas da capa no LP de vinil original eram vazadas, um processo chamado “die-cut”, e dentro haviam encartes que se encaixavam na arte, com uma série de fotografias e letras do título do álbum.

Dentre os personagens que espreitam pelas janelas estão Neil Armstrong, King Kong, Elizabeth Taylor, uma alusão ao assassino de John Kennedy, Lee Harvey Oswald, a Virgem Maria, o elenco do Mágico de Oz, Peter Grant (empresário da banda), Charles Atlas, Rainha Elizabeth II, os comediantes Laurel e Hardy (Gordo e o Magro) e os próprios integrantes da banda.

 

A ideia ficou semelhante à criação dos Beatles em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, de 1967.

Influenciando Mick Jagger

O prédio do East Village influenciou Mick Jagger a gravar, em 1981, o videoclipe da música “Waiting On A Friend”, onde o vocalista dos Stones espera a chegada de Keith Richards na frente do prédio.

As faixas de “Physical Graffiti”.

 

As gravações de “Physical Graffiti” aconteceram em uma casa de campo no interior da Inglaterra, onde o baixista da banda Faces, Ronnie Lane, levou seu estúdio móvel.

Um fato interessante é que o Led Zeppelin, nessa época, gravou muitas faixas em poucos takes. Como, por exemplo, no blues “In My Time Of Dying”, que na realidade era uma versão de “Jesus Make Up My Dying Bed”, gravada originalmente em 1927 pelo bluesman Billie Willie Johnson. A letra é de um personagem que se conforta ao ver a morte chegar, sabendo que Jesus irá “fazer sua cama”.

“Physical Graffiti” é tão vasto e profundo que Jimmy Page faz uma homenagem aos violinistas folks na faixa acústica “Bron-Yr-Aur”. Outras curiosidades incluem “The Rover”, um pesado hard rock, e “Black Country Woman”, gravada anos antes no jardim da casa de Mick Jagger, ambas eram para ter entrado no disco “House Of The Holy”, de 1973.

Além disso, “Down By The Seaside”, uma homenagem a Neil Young, era para ter feito parte do “Led Zeppelin IV”. Acima de tudo isso demonstra o enorme poder de criação e criatividade da banda.

Em “Trampled Under Foot”, a banda fez uma homenagem cheia de swing ao jovem amigo Stevie Wonder, que naquele período vivia uma de suas melhores fases, inclusive o músico já havia faturado três Grammys.

“Ten Years Gone” e “Kashmir”

“Physical Graffiti” traz dois riffs que são a marca registrada de Jimmy Page e do Led Zeppelin em “Ten Years Gone” e a hipnótica “Kashmir”, uma das épicas canções do Led Zeppelin.

A composição de “Kashmir” nasceu quando Plant e Jimmy estavam indo para um festival em Marrocos em 1973. Ou Seja nada a ver com Caxemira que fica em uma região no sul da Ásia, conhecida pelo cultivo de papoulas e conflitos políticos e sociais. A afinação da guitarra de Page nesta música é diferenciada e casa exatamente com a orquestração da canção. É mais fácil os próprios autores explicarem; a nós cabe admirar.

“Foi uma grande conquista pegar uma peça musical tão monstruosamente dramática e encontrar uma letra que fosse ambígua o suficiente e uma entrega que não fosse exagerada. Foi quase a antítese da música; essa letra e essa entrega vocal foram suficientes para entrar lá.” Conforme disse Plant a Dan Rather em 2018.

“A intensidade de ‘Kashmir’ era tanta que, quando a terminamos, sabíamos que havia algo realmente hipnótico nela. Não conseguíamos nem descrever tal qualidade. No início, havia apenas Bonzo [baterista John Bonham] e eu em Headley Grange. Ele tocou o ritmo na bateria, e eu achei o riff, bem como os overdubs que depois foram duplicados por uma orquestra, para dar mais vida à faixa. Parecia tão assustador no início…” Segundo Jimmy Page.

Por fim, o local do prédio em East Village por um bom tempo abrigou uma casa de chás e café, frequentado até por Robert Plant.

Então, veja “kashimir” em uma apresentação em 1975: