Discos e bandas de rock

Pink Floyd em Pompéia: uma ousadia musical diante de ruínas históricas milenares

Nos anos 70, o Pink Floyd desafiou o status quo ao registrar um concerto histórico nas antigas ruínas de Pompéia, sem público. Um feito notável na contramão do que estava sendo feito no showbiz.

Por Sandro Abecassis

No começo dos anos 70 o diretor francês Adrian Maben teve uma ideia ousada junto com uma TV Belga e Francesa. Gravar um show do Pink Floyd sem público, apenas para espectadores. 

Até aí nada de mais. No entanto, a proposta do local era inusitada. As ruínas de um anfiteatro em Pompéia, cidade varrida pela erupção do Vesúvio há cerca de 2000 anos. 

Adrian considerou usar o lugar para o show depois de uma viagem ao local. Achando que aquele lugar combinava exatamente com o som do Pink Floyd.

A acústica, o valor histórico e o silêncio, era o contraste do que grandes bandas de rock estavam fazendo, através de todos festivais e mega shows. 

Contudo, havia alguns entraves, como por exemplo, convencer o empresário do Pink Floyd, Steve O´Rourke, demorou mas conseguiram. Depois, o pagamento de altas taxas para que usassem o local também acertado por um alto valor a ser pago para a prefeitura de Nápoles.

E por último, levar eletricidade para o anfiteatro. Dessa forma, foram puxados quilômetros de cabos da cidade mais próxima até o local e usando inclusive uma fonte elétrica de uma igreja perto dali. 

Tudo ao vivo.

O Pink Floyd não usou playback, portanto eram toneladas de equipamentos para a execução das músicas ao vivo e filmagem das tomadas. No total foram 4 dias de trabalho, entre 4 e 7 de outubro de 1971. Mas algumas partes a produção seriam finalizadas em um estúdio em Paris, adicionando mosaicos, cenas de lava em ebulição e Richard Wright sem barba, diferente de como está no show. 

Dentre as canções, “Echoes, Part I”, “A Saucerful of Secrets”, “One of These Days”, Echoes, Part 2”, “Set the Controls for the Heart of the Sun” “Careful with That Axe, Eugene” “Mademoiselle Nobs” . Dentre as curiosidades, algumas crianças conseguiram acessar o local e viram o show de dentro do anfiteatro.

Pink Floyd: a história da banda escrita por Nick Mason.

Lançamento de “Live At Pompeii”.

A exibição de “Live At Pompeii”, aconteceu em 2 de setembro de 1972. Dois anos depois o filme foi relançado, e para ficar mais longo o diretor intercalou o show ao vivo com cenas adicionais da banda tocando, “Brain Damage” e “Us and Them” no estúdio em Abbey Road.  

Lucro a banda nem o diretor tiveram, mas o trabalho em “Live At Pompeii”, mantém até hoje seu valor histórico pela ousadia e qualidade do projeto. A produção se transformou em um DVD em 2003.

 

No ano de 2020 o Pink Floyd transmitiu por 24 horas grandes show de sua carreira, inclusive o “Live Pompeii”. Trechos do longa também estão disponíveis no canal da banda no Youtube. 

David Gilmour voltou a fazer um show no Anfiteatro de Pompéia em 7 e 8 de julho de 2016 para um público limitado de 2 mil pessoas. Por fim, o material gerou também um filme, sendo exibido em cinemas. 

Então, confira a apresentação de “Echoes” em Pompéia.

Sandro Abecassis

Publicitário, radialista, músico e apaixonado por rock, literatura e histórias curiosas.

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