Paul McCartney: o dia que o ex-Beatle foi preso no Japão em 1980.

Paul McCartney iria começar uma programação de shows no Japão em 1980. No entanto, a prisão por posse de maconha acabou com a turnê.

No começo de 1980, Os Wings partiam para tocar no Japão. A banda, formada por Paul e Linda McCartney, Denny Laine, Laurence Juber e Steve Holly, estava voltando a excursionar. Além disso, naquele momento era a primeira vez desde 1966 que o país oriental recebia um Beatle para tocar. 

O voo chegou em Narita, no Japão, em 16 de janeiro de 1980. Sendo dividido em dois, um com a família de Paul McCartney e outro com os técnicos e banda.

Curiosamente, quando a banda desembarcou eles não passaram pela rigorosa revista japonesa, pois já haviam sido avisados pelos seus produtores e empresários a não levar qualquer tipo de droga que fosse. 

Paul desembarca e posa para os fotógrafos com os filhos, e responde perguntas e tem tratamento vip, algo que iria mudar minutos depois quando o funcionário da alfândega resolve revistar as malas e casacos de McCartney. 

Não demorou muito para que o funcionário encontrasse um saco de plástico transparente com cerca de 200g de maconha. 

“Quando o sujeito tirou aquilo da mala, estava mais constrangido do que eu”. Conforme Paul lembrou na biografia – Paul McCartney, a biografia, por Philip Norman. 

Para ficar pior ainda, revistando mais detalhadamente encontrou um outro pacote menor. Até uma guitarra Gibson novinha foi completamente desmontada para averiguação. Os seguranças chegaram e levaram Paul e Juber para um interrogatório em outra sala.  

Liberando a banda.

O empresário da banda, Alan Crowder, sem revelar aos integrantes o que estava acontecendo, liberou os músicos para que fossem para o Hotel Okura.

Steve descansou depois de tantas horas de voo e só acordou ao receber o telefonema de Linda informando sobre a prisão de McCartney. 

A essa altura, Paul já era capa de todos os jornais, e a notícia começava a correr o mundo. 

O interrogatório do ex-beatle durou cerca de 5 horas, e a quantidade total de maconha somava 218 gramas, ou seja, para os padrões japoneses aquilo não era considerado de uso pessoal e sim tráfico de drogas, mesmo Paul alegando o uso pessoal. 

Paul em custódia.

Diferente dos Estados Unidos e Europa, no Japão não haveria a possibilidade de pagar uma fiança e sair enquanto os procedimentos de acusação seguiam. Ele teria que ficar detido, mantido sob custódia e aguardar o julgamento. 

Paul McCartney, ficou com uma corda no pescoço e as mãos amarradas, sendo levado inicialmente para uma cela minúscula, somente com um colchão fino.

Haviam cartazes a cada 50 metros divulgando os shows dos Wings no país no dia da chegada da banda. Contudo, ao amanhecer todas as mídias de divulgação sumiram, e mais, nenhuma rádio tocava sequer algumas músicas dos Wings ou Beatles. 

Paul respondia perguntas como, “Você recebeu a ordem do Império Britânico”, “Você mora no castelo da Rainha?”, “Você fuma maconha?”, “Isso faz você ouvir música melhor?”. McCartney pensava em relação as perguntas: “Deus, será que isso é uma armadilha?”

Ao sair do interrogatório, milhares de fãs e uma multidão esperavam McCartney sair. “Foi como a Beatlemania. Só que desta vez eu estava indo para uma cela”. Lembrou. 

Preparando a defesa.

John Eastman, cunhado de Paul, viajou até Tóquio para dar suporte a Linda e as crianças, e um advogado japonês, chamado, Tasuku Matsuro representava McCartney no país. 

Apesar da severidade, Paul lembra que não foi maltratado, aliás, sua dieta vegetariana entrou no seu cardápio de cela, no entanto, apenas, maçãs e laranjas.

Até aquele momento não haviam garantias de nada, afinal, ele poderia ser solto ou julgado e pegar até 7 anos de cadeia pelo crime. No dia 18 de Janeiro, levaram Paul para mais um interrogatório no escritório da promotoria. Na ocasião, a decisão do Juiz Haruo Matsumoto manteve a prisão por dez dias até que fosse julgado. Contudo, agora, o ex-beatle ficaria na temida prisão de Kosuge, ao lado de prisioneiros perigosos realmente ligados ao tráfico de drogas. 

Roupas limpas, mas sem violão.

Aquela altura Donald Warren-Knott, da embaixada britânica, já discutia o que poderia ser feito, e certa vez ouvia na prisão os membros da Yakuza, máfia japonesa, pedirem para McCartney cantar “Yesterday”. 

Algumas solicitações de Paul McCartney como um violão, lhe foram negadas. Apesar disso, lhe deram roupas limpas, comida quente e cobertores, além de um chuveiro em lugar privado, mas ele optou por usar o comunitário. 

Um fato interessante é que o momento constrangedor e perigoso colocou Paul em uma reflexão, como ele mesmo lembra: “De repente eu me lembraria de que não precisaria fazer mais meu trabalho. Voltaria ao status de anos atrás antes de conhecer John e George, era só mais um cara”. 

Banda liberada

Todos da turnês receberam aviso para que não levassem maconha para o Japão, e a banda não entendeu porque McCartney insistiu. Talvez imaginasse que jamais iriam revistá-lo, ou que iriam relevar o fato dele levar drogas.

A banda deixou o Japão em 21 de Janeiro, e se debandou, afinal, ninguém tinha ideia do que iria ocorrer. Tanto, que Steve Holley foi para Austrália visitar parentes e Juber partiu para Los Angeles. O fato aborreceu os dois, que ficaram sem cachê, e marcaria o começo do rompimento dos Wings.

Linda permaneceu no Japão e teve o consentimento de visitar o marido na cadeia, levando alguns alimentos. 

Já se passavam quase dez dias da prisão e a proporção gerava discussões no mundo pop. Sendo assim, o governo japonês levou em consideração os pedidos do embaixador britânico Donald Warren-Knott, e tirou as acusações contra McCartney. As razões citadas eram que o réu já havia confessado seu “arrependimento” e por já ter tido uma punição social pelo ato. 

Por fim, Paul McCartney saiu da prisão no décimo dia, recebeu seus pertences de volta, exceto a aliança de casamento. Dessa forma, Macca improvisou com um clipe de papel uma nova aliança. 

Então, confira o vídeo da TV japonesa na ocasião da prisão de Paul: