Oficina de colagens Álbum de Família abre inscrições com vagas limitadas

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Segunda edição do projeto, coordenado pela ilustradora e arte educadora Pati Peccin, foi contemplada no Edital Lei Aldir Blanc 2021, da Fundação Catarinense de Cultura

No próximo dia 3 de fevereiro iniciam as inscrições gratuitas para mais uma oficina Álbum de Família, idealizada por Pati Peccin, ilustradora e arte educadora entusiasta do universo das colagens, base para a produção e confecção do álbum de fotografias. O encanto e a relação tão direta com essa técnica – que traz referências do scrapbook (livro de recortes) – e o crescente interesse sobre as ancestralidades incentivaram a artista a dar continuidade ao desenvolvimento do tema, com desdobramento em diversas edições.

A segunda, viabilizada com recursos do edital Lei Aldir Blanc 2021, da FCC (Fundação Catarinense de Cultura), já está programada para os dias 19 de fevereiro, 5 e 19 de março e 2 de abril.

“Com a midiatização e a superexposição das fotografias em redes sociais, os antigos álbuns ficaram esquecidos. A oficina funciona como um convite para revisitar o passado. A ideia é que os participantes mexam no baú – real ou fictício -, coletem memórias, resgatem a ancestralidade de suas famílias, façam recortes de cópias de fotografias garimpadas nos acervos familiares e, a partir de uma linguagem mais contemporânea, tragam de volta a materialidade dos álbuns, que se perdeu com a digitalização dos registros. Esta vivência e sensibilidade são a essência do nosso projeto”, explica Pati.

Novidades

Uma das novidades deste ano é que as aulas serão co-ministradas juntamente com a artista multimídia Alicia Ferreira, que já foi aluna de diversas oficinas realizadas por Pati, somando novos olhares ao processo de criação e confecção do álbum.

Serão quatro encontros realizados de forma remota, on-line, por videoconferência. O curso oferecerá um tradutor de Libras. Parte do conteúdo, mais especificamente a Live de abertura, no dia 19 de fevereiro, às 16h30, será transmitida ao vivo pelo Youtube, no canal Pati Peccin, o que amplia o alcance do público interessado em conhecer a dinâmica dos trabalhos. 

A oficina é aberta a todas as pessoas – com mais de 12 anos – que queiram construir um álbum para coleção de memórias, registros e texturas. Durante os encontros, Pati e Alicia vão mostrar aos oficineiros como montar o material, usando colagens e texturas que se identificam com a narrativa contada pelos participantes. No último dia, eles aprenderão sobre encadernação japonesa para que finalizem os álbuns.

A professora Ana Carina Baron, de São José, vê nos trabalhos manuais um hobby, por isso, quando soube da primeira edição do Álbum de Família, no ano passado, não perdeu a oportunidade. “Ocorreu num período que havia recém perdido a minha avó, durante a pandemia. A oficina foi um alento. Os encontros permitiram que eu resgatasse minhas lembranças mais profundas em um momento especial da minha vida. O conteúdo e a experiência são muito ricos. Pati nos ensinou a compor, por exemplo, uma paleta de cores. Resgatei àquelas que fizeram parte da relação com a minha avó e a casa dela. Foi um resgate bem íntimo e que refletiu na produção das minhas colagens”, pontua.

A figurinista Emanuela Vieira teve uma imersão diferente durante a realização da primeira oficina. Ao contrário dos outros participantes, que tinham em mãos várias fotos, ela contava apenas com algumas. “A minha família tem poucos relatos da origem. Trabalhei com pouquíssimas imagens disponíveis. Por isso, criei outros personagens a partir das histórias que ouvi minha avó contar de ir atrás do circo, de atravessar a ponte Hercílio Luz e chegar na Praça 15, momentos que não foram documentados. Por isso chamei meu álbum de invencionário da família”, revela.

Pati Peccin por Marko-Martinz

“Eu inventei as imagens para contar uma história que eu vou conseguir fazer a leitura. Pode não ter significado para outras pessoas, mas preencheu muitas lacunas da minha vida”, completa a também artesã e auxiliar de professora.

O mais emocionante, na opinião de Manu, é que durante a pandemia ela teve que se afastar da avó, ainda viva, no auge dos seus 94 anos, por segurança. Quando foi possível reencontrá-la, a avó já não se recordava mais da neta. “Foi chocante encontrá- la neste processo. O que deu mais significado para montar o meu álbum. Depois que finalizamos a oficina, concluí o material e levei para minha avó ver. Dos pais ela recordou, mas do marido, dela e das amigas não tinha mais registrado na memória. Neste contexto, a oficina foi um processo de cura familiar, de cura interna, de conseguir registrar as histórias apenas verbalizadas. Ou seja: da imaginação do que ouvia, criei a narrativa para a minha história de vida”, desabafa a participante.

Elementos visuais.

Segundo a arte educadora, este é o resultado. São colagens afetivas, que além de fotografias, reúnem outros elementos visuais como artigos e recordações de viagens, registros de encontros de familiares e amigos, lembranças de histórias contadas verbalmente, recortes de jornais que documentam uma determinada época, recortes de memórias escolares. “O álbum não só preserva memórias, mas também as eterniza. Torna-se quase que uma relicário de registros familiares, materializado em um álbum personalizado, cheio de detalhes.”

Para participar do projeto Álbum de Família é necessário fazer a inscrição pelo site: https://bit.ly/album-de-familia-2022 até dia 14 de fevereiro. As vagas são limitadas, por isso, vale a ordem de inscrição. A entrega do álbum deverá ser por email até dia 11 de abril. Mais informações podem ser acompanhadas diretamente nas redes sociais da oficina Álbum de Família no Instagram @album.de.familia.2022 e Facebook https://www.facebook.com/albumdefamilia2022.

Sobre o projeto Oficina Álbum de Família

A oficina cultural Álbum de Família surgiu em 2021 como resultado de uma ação do projeto para a publicação do livro “Histórias do Outro Lado do Mundo”, da Cia Mafagafos e Sutil Produções, com histórias, memórias e imagens trazidas de países asiáticos, e que foi ilustrado por Pati Peccin. 

“Pensei como uma provocação e inquietação pela busca do valor artesanal em meio à velocidade da era digital que vivemos”, ressalta.

A iniciativa foi financiada com recurso público do Edital de Apoio às Culturas 2020, promovido pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes.

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