Na hora H no dia D na hora de pagar pra ver.

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O Caos em Manaus, sem hora h ou Dia D

“Na hora H no Dia D, na hora de acender a luz, ninguém da nome aos bois, tudo fica pra depois”. Essa música dos Engenheiros do Hawaii composta por Humberto Gessinger e lançada em 1988 no album, “Ouça o que eu digo, não ouça ninguém”, voltou a ser lembrada esta semana, após a coletiva em Manaus, em que o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, anunciou o plano estratégico do governo para o combate a COVID-19.

Na coletiva, o ministro deu datas vazias quanto ao começo da vacinação, sendo que já existem doses da vacina sinovac produzida pelo Butantan, além de outras. Falou em compras de vacinas em um balaio incompreensível, ia e vinha nas falas. Se confundia, não tinha dados. E o pior de tudo não priorizou o início da vacinação para os locais que mais precisam, como Manaus. 

Tragédia sanitária.

Manaus vive hoje uma tragédia com uma segunda onda forte de contaminação da população pelo coronavírus. Existem vários culpados, o governo estadual pelo superfaturamento de respiradores e falta tomada rápida de decisões, a prefeitura de Manaus, em fim de mandato que não priorizou nos últimos anos o serviço de unidades básicas de saúde, além do jogo sujo politico que usou a pandemia como palanque eleitoral, criando heróis, pais de hospitais de campanha, e que sumiram após a eleição.

Sendo assim, a pandemia em Manaus, foi crescendo a partir de outubro, novembro, dezembro, eleições e festas e mais festas, além de protestos contra o fechamento do comércio. 

Outro fator importante foi que em junho de 2020 uma rede hospitalar da cidade, anunciou o fim do coronavírus na cidade, sendo notícia em todos os jornais, ou seja, o povo acreditou. 

Além disso, a baixa da circulação do vírus na cidade naquele momento rendeu matéria nacional e pesquisa afirmando que Manaus era a primeira capital a adquirir a tal imunidade de rebanho, o povo acreditou de novo.

Grande engano, já circulava na cidade uma nova variante do vírus comprovada no começo de janeiro, onde hoje existem 11 cepas diferentes na capital do Amazonas. 

Comportamento.

O que também mais assusta é o comportamento da população, não só de baixa renda, geral, incentivada por portais e perfis de humor que relativizam o tosco.

Muitos Manauaras acreditam realmente, que comer comida sem nenhuma higiene nas bancas irregulares dá imunidade, assim como tomar banho na lama, ou ter cuidados sanitários é frescura, que tudo se cura com plantas locais. Outra coisa, são as falas reproduzidas sem parar, como, “os hospitais sempre estiveram lotados”, ou as festas clandestinas que acontecem diariamente na cidade.

Onde vamos parar? são milhares de mortos. 1.537 pessoas internadas só nos primeiros dez dias de janeiro, fruto de aglomerações, festas, academias abertas, combinada com uma nova variação de vírus. Pra variante não importa, rico ou pobre, além do mais, nem quem tem dinheiro consegue leito na cidade, está faltando oxigênio.

Na segunda-feira o secretário de comunicação do estado pediu demissão e se mudou para Portugal. Isso pra mim sinaliza, que ele conhece o caos em que Manaus se encontra.

História e cultura.

A grande maioria da população manauara hoje joga sua história e cultura no lixo ignorando regras sociais e leis. É uma terra onde cada um faz o que quer. Além disso, os governos ao longo dos anos priorizaram o mínimo de bem estar social, isso é visto na quantidade de invasões na cidade, infelizmente.

No final do século XIX chegaram ao Amazonas Judeus, Libaneses, Japoneses, Árabes, Turcos, assim como ingleses que deixaram um legado.

Igualmente na segunda década do século XXI, Haitianos e Venezuelanos, fugidos de um caos social. Vejo que muitos amigos já fazem este caminho inverso, migrando para outras regiões em vista do tormento que a cidade está.

Contudo, outras cidades do Brasil podem também viver isto, não é uma particularidade Manauara. Manaus tem um grande potencial turístico, belezas naturais, e um centro histórico de riquezas. Entretanto, hoje perde pessoas, que tem seus sonhos interrompidos, seja pela violência ou pandemia ou social. 

Por fim, vou seguir o conselho do meu amigo Tirson Benarrós e ouvir o album “Ouça o que eu digo não ouça ninguém” na integra.

De acordo com ele, Humberto Gessinger pegou seu DeLoren em 1988, veio ao Brasil de 2021, voltou e escreveu. Enfim, todas as letras são da forma exata em tudo que ocorre hoje no Brasil. 

Sandro Abecassis

Sandro Abecassis

Publicitário, radialista, pós graduado em marketing digital e gestão executiva de projetos.

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