Master Of Reality, o álbum do Black Sabbath que fez história no Heavy Metal.

Master Of Reality, o terceiro álbum do Black Sabbath é cheio de crítica e posicionamento social

Por Sandro Abecassis

“Paranoid”colocou o Black Sabbath em um patamar alto do heavy metal no começo dos anos 70. A música do álbum de mesmo nome trouxe pra banda além de fama, shows, turnês, e eles entraram no ano de 1971 com moral e liberdade para gravar, respaldado por dois excelentes discos, tanto o de estreia, “Black Sabbath”, quanto o próprio “Paranoid”. 

Então, entre fevereiro e abril de 1971, a banda se debruçou para produzir um novo álbum com músicas inéditas. Tony Iommi queria um disco mais pesado, tanto é que até alterou a afinação da sua guitarra para soar com mais peso se igualando a sonoridade do baixo de Geezer Butler, afinal, por si só o baixista construía através de sua criatividade com o instrumento, umas das linhas mais expressivas do metal pesado dos anos 70.

Sem dúvida que “Master Of Reality”, tem sim um peso forte, afinal, na primeira faixa a tosse de Tony Iommi engasgado depois ter fumado um cigarro de maconha na introdução de “Sweet Leaf”, dá o tom do que viria no disco, e convenhamos, a “Folha doce”, a que se refere a canção, é marijuana.

O riff da música, Tony se inspirou em uma música de Frank Zappa de 1966, chamada “Hungry Freaks, Daddy”, confira:

O sobressalto da voz de Ozzy, aliado à pegada e viradas de Bill Ward é realmente de dar arrepios quando se ouve em alto volume. 

Um stoner rocker

Na segunda faixa, “After Forever”, quase um stoner rocker, é aquela verdade do poder do baixo de Geezer, a propósito, o próprio Butler fala a respeito desta canção que ele compôs, sobre a fé cristã e o cristianismo. Butler era católico e relatou na música as questões a respeito do entrave entre católicos e protestantes na Irlanda. 

“Sempre senti que Deus e Jesus queriam que nos amássemos. Foi apenas um momento ruim na Irlanda do Norte, explodindo bombas na Inglaterra e coisas assim. Todos nós acreditávamos em Jesus – e ainda assim as pessoas estavam se matando por causa disso. Para mim foi simplesmente ridículo. Achei que se Deus pudesse nos ver matando uns aos outros em nome dele, ele ficaria enojado”. Conforme disse ele a Bass Guitar. 

“After Forever”, influenciou bandas como Soundgarden e Nirvana. E naquele período o Black Sabbath era considerado satânico.

“Embryo” traz influência da música da idade média e para mim que ouvi o LP inteiro servia não com interlúdio para “Children Of The Grave”, mas uma introdução, afinal é o “Embrião”, para o nascimento das crianças, como diz a letra, “Espalhem as palavras hoje, mostre ao mundo que o amor, Ainda está vivo, vocês devem ser bravos. Ou vocês crianças de hoje serão as crianças do cemitério”. 

O baixo de Children Of The Grave é algo sensacional, Butler parece bater em um vergalhão de ferro, parece cavalgar com um cavalo gigante, e a canção traz sonoridade sinistra tanto com os sintetizadores, quanto no seu final misterioso entre sombras e sussurros. 

Ao final chega a instrumental “Orchid”, com Tony Iommi tocando uma bucólica canção que parecia ter saído da idade média e um conto de Tolkien. 

Peso e crítica.

“Lord Of This World”, traz um dos riffs mais pesados do Black Sabbath e a música, também uma composição de Butler, traz uma crítica a guerra, conflitos e governantes. E a mudança no meio da canção com um solo inspirado e dobrado durante a gravação do álbum. É interessante observar o baixo de Geezer aparece quase solando também com Iommi. 

“Solitude” vem com uma perspectiva romântica, e até um pouco psicodélica, afinal, Tony que toca flauta na canção se inspirou para fazer a melodia durante um show do Jethro Tull. 

Finalizando o “Master Of Puppets”, “Into The Void” é uma de certa forma uma crítica à corrida espacial. Contudo, ao mesmo tempo uma forma já naquela época, em 1971, da visão do homem fugindo de um planeta cheio de miséria, aflição e poluição. Uma curiosidade, Butler no final antecipa o riff de Tony Iommi.

Por fim, “Master Of Reality” teve seu lançamento em 21 de julho de 1971. Em 2001 entrou para lista da Q Magazine como um dos 50 álbuns mais pesados de Heavy Metal