Bill Wyman conta sobre sua saída dos Rolling Stones.

Bill Wyman, ex-baixista dos Stones tem 87 anos e ficou 30 anos na banda. 

Bill Wyman, 87 anos, ex-baixista dos Rolling Stones, em razão da nova turnê da ex-banda, foi procurado pela revista NME para uma entrevista. O músico contou detalhes sobre a vida atual, e principalmente, a respeito da sua saída do grupo no começo dos anos 90. 

Bill Wyman conta sobre sua saída dos Rolling Stones.
Bill Wyman nos Stones nos anos 60. Getty Images

Wyman esteve no baixo dos Stones desde o começo, em 1963 até o ano de 1993, portanto, ficou 30 anos na estrada com o grupo. Bill tinha 27 anos quando a banda começou, sendo o mais velho de todos. 

É engraçado que Bill declara que quando anunciou para o grupo que estava saindo, ninguém acreditou, como se fosse um absurdo deixar um “empregão” destes. Ele disse: 

“Saí em 1991, mas eles não acreditaram em mim. Eles se recusaram a aceitar que eu tinha saído. Foi só em 1993, quando eles estavam começando a se reunir para uma turnê em 1994, que eles disseram: ‘Você realmente já foi embora, não foi?’ E eu disse: ‘Saí há dois anos’. Eles finalmente aceitaram, então dizem que saí em 1993.”

Bill Wyman conta sobre sua saída dos Rolling Stones.
Mick Jagger e Bill Wyman durante a turnê de 1989 na Georgia. Foto Paul Natkin.

Wyman na época tinha 57 anos e revelou o porquê da sua decisão. “Foi metade da minha vida e pensei: ‘Tenho outras coisas que quero fazer’. Queria fazer arqueologia, escrever livros, fazer exposições fotográficas e jogar críquete beneficente. Eu costumava ler sobre culturas antigas enquanto estava na estrada e também tirar fotos. Eu simplesmente tinha toda uma outra vida que queria viver.”

Promessa cumprida

Bill Wyman conta sobre sua saída dos Rolling Stones.
Bill Wyman e seu livro atual, “Billy In The Wars”.

Desde que saiu, o baixista cumpriu o prometido. Escreveu livros sobre histórias medievais, além de publicações a respeito dos Rolling Stones, como por exemplo, o livro, Stone Alone: The Story Of A Rock’n’Roll Band.  

Sua mais recente publicação, é o livro, “Billy In The Wars”, narrando sua experiência em ter vivido a infância durante a 2ª guerra mundial, quando tinha entre 8 a 10 anos, fugindo com a família para abrigos antiaéreos e diante do cenário de desolação que via na Londres bombardeada. 

Bill ainda dedica seu tempo a caçar tesouros com detector de metais, e se tornou colecionador de selos e pôsteres, além de participar de encontros falando sobre sua carreira com os Rolling Stones.. 

“Crescendo na guerra, não tínhamos presentes. Mas tínhamos anuários de Rupert Bear que todos compartilhamos. Eu costumava lê-los para os mais novos. E então comecei a colecioná-los porque era louco por eles. Foi algo que ficou comigo. Tenho toda a série até os dias de hoje e tenho outras coisas como lenços do Rupert, distintivos, selos postais. Eu poderia encher um museu com isso. Talvez um dia.” Conforme contou. 

A conta bancária não é problema, afinal, Wyman tem uma fortuna avaliada em US$80 milhões de dólares, Além disso, o músico ainda recebe os royalties sobre tudo que é produzido sobre os Rolling Stones. Portanto, uma aposentadoria de respeito.

Participação especial

No entanto, apesar de longe dos Stones desde 1993, o músico voltou a reencontrar os colegas de banda durante as gravações do álbum, Hackney Diamonds em 2023. Na ocasião tocou baixo na canção, ‘Live By the Sword’, que tem a participação de Elton John, com bateria tocada por Charlie Watts, gravada anos antes. Ouça:

“Foi ideia do [produtor] Andrew Watt. Tínhamos essa faixa com a bateria do Charlie. Nenhum de nós estava lá quando Bill realmente fez o que queria. Mas Andrew disse que se divertiu muito com ele. Ele fechou o estúdio para ele.”. Comentou Ronnie Wood. Wyman ainda se juntou à banda em 2012, em uma apresentação comemorativa na O2 em Londres. 

“O bom foi que meus filhos me viram no palco com os Stones”, disse ele. “Eles me convidaram em dezembro anterior e tive que tocar com eles por três dias. Tive a impressão de que iria me envolver de verdade, mas quando chegou a hora, eles só queriam que eu fizesse duas músicas, o que foi muito decepcionante.” E finaliza: “Sempre afirmei que não se pode voltar atrás e que as coisas nunca mais poderão ser as mesmas. é como uma reunião de escola ou a reunião do Exército de Tony Hancock. Se você tentar voltar e ter um relacionamento com alguém, não funciona, e musicalmente é a mesma coisa. Não funciona. Foi único. Cinco minutos. OK, nunca mais. Não há arrependimentos, ainda somos grandes amigos.”

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Nova turnê dos Stones.

Os Rolling Stones começaram uma nova turnê mundial, que já tem shows agendados até o final do ano com datas pelos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Áustria, Bélgica, Suécia, Espanha e Itália.

Com uma energia de meninos, os oitentões Mick Jagger e Keith Richards, acompanhados do caçula Ronnie Wood, 76 anos, e de uma banda composta por Steve Jordan, na bateria, substituindo Charlie Watts, morto em 2021. Além de Darryl Jones no baixo, e músicos de apoio.

A turnê foi anunciada logo após o lançamento do álbum “Hackney Diamonds” em outubro do ano passado.