A mística sobre lendas e mistérios de Florianópolis.

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Florianópolis não tem o nome de, “Ilha da magia”, a toa. Existem várias lendas, assim como histórias sobre o encanto que o lugar exerce sobre visitantes e moradores. 

Bruxas, fantasmas, luzes, lobisomem, e tantas outros personagens compõem o imaginário popular. São versos e prosa dos poetas, músicos e escritores, como Franklin Cascaes, ou contadas pelas rendeiras e pescadores de Nossa Senhora do Desterro.

Sendo assim, vamos conhecer algumas destas estórias da ilha da Magia.

ABruxas.

Comum na ilha ouvir estórias de bruxas que levavam crianças para ilha do Campeche com intuito de “embruxar”, ou seja, tirar o sangue da crianças. Assim para tirar as crianças do “embruxamento”, tinha que levar em uma benzedeira. Mas também resolviam alguns problemas, como de crianças que não conseguiam dormir. Contam moradores, que uma senhora que era conhecida por ser bruxa, ensinou a mãe a não jogar a água do banho do menino, deixar atrás da porta até a bruxa aparecer, quando ela vinha, jogava fora. Muitos dizem terem presenciado o fato. Dessa forma, a criança dormia.

Congresso bruxólico desenhado por Franklin Cascaes e que aparece no livro ‘O fantástico na Ilha de Santa Catarina’(Foto: Reprodução)

Assustar pescadores, dar nós em rabo de cavalos, brincadeiras com tarrafas, também são lendas das travessuras das bruxas. Na ilha dizem que se reconhece uma bruxa quando ela estende a mão esquerda na hora de cumprimentar alguém. Além do mais, para se ter prosperidade na ilha, quem muda para Floripa deve pedir autorização às bruxas. 

Lobisomem

Contam os pescadores, que havia uma família com lobisomens na Armação, sempre o sétimo filho. Ele andava rodeado de cachorros, e certa vez alguém tacou uma pedra em um dos animais, no outro dia um rapaz apareceu com o braço machucado. As noite de lua cheia sempre foram cheia de mistérios.

As horas mortas.

Os mais velhos, respeitam sempre as horas mortas, como 12h00 e às 18h00, sendo assim, jamais era para ficar em região de mata neste horário. Contam moradores que certa vez ao passar por uma estrada neste horário viram uma mulher com de capa branca e uma vela acessa na mão. No dia seguinte, ao frequentar um velório era esta mulher que estava sendo velada. 

Pedras do Itaguaçú

Foto: Blog meus roteiros de viagem.

Diz a lenda que a atual praia de Itaguaçu era um jardim, e um dia os Elementais resolveram fazer uma festa, convidaram os seres das matas, mares, Açores. Assim também como, Bruxas, Boitatá, Saci, Curupira e Lobisomem. Contudo, só não convidaram o Tibinga (diabo), pelo fato de feder a enxofre e ser feio

Porém, no dia do grande evento, o próprio Tibinga apareceu de surpresa e resolveu se vingar. 
– Não me convidaram, é?
– Vou transformar todos vocês em pedras e este campo em mar.

Foi assim, que o jardim virou mar, e os convidados viraram pedras, que hoje são atrações turísticas da região.

Todo o imaginário de Florianópolis, pode ser conferido na obra do escritor, antropólogo e folclorista catarinense, Franklin Cascaes. Nascido em Itaguaçu, o autor registrou através dos relatos a mística sobre a cultura popular, assim como sobre a influência açoriana da região.

Por fim, o Museu da Escola Catarinense (Mesc), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), e a Associação FloripAmanhã lançaram livro digital e vídeo com registros do 1º Grande Baile Místico, realizado em outubro de 2019 para valorizar e divulgar o folclore da Ilha de Santa Catarina. Assim, a obra traz toda a mística de Franklin Cascaes. 

A mística sobre lendas e mistérios de Florianópolis.
Mural de Franklin Cascaes da Street Art Tour

 

Referência: Poranduba Catarinense. Boiteux, Lucas A. Edição da Comissão Cat. de Folclore, Florianópolis, 1957.

Sandro Abecassis

Publicitário, radialista, pós graduado em educação inclusiva e gestão executiva de projetos.

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