Exposição de Letícia Cardoso aborda a voz e a mudez feminina através da linguagem

A exposição “Língua Louca” da renomada artista Letícia Cardoso promete mergulhar os visitantes em um universo provocativo e instigante, discutindo a voz e a mudez feminina por meio do hibridismo da linguagem contemporânea. Com abertura marcada para esta sexta-feira, dia 12 de janeiro, na Fundação Cultural BADESC, em Florianópolis/SC, a mostra se estenderá até 31 de janeiro.

O projeto, aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura Municipal, busca desvelar o estigma do “feminino histérico”, desafiando as narrativas estereotipadas que historicamente relegaram as mulheres a uma posição de submissão e violência. Inspirada pelo conceito de histeria, a artista resgata a evolução do termo ao longo do tempo, destacando seu deslocamento no manual de doenças dos anos 60, uma conquista histórica impulsionada pelo trabalho de mulheres artistas e feministas.

Linguagem com ferramenta

Exposição de Letícia Cardoso aborda a voz e a mudez feminina através da linguagem
Língua Louca. Crédito José Rafael Mamigonian

Letícia Cardoso utiliza a linguagem artística como uma poderosa ferramenta para desafiar e resistir às expectativas impostas às mulheres. Ela explora a língua louca como uma forma de rejeição à submissão feminina, uma estratégia criativa da arte contemporânea para confrontar os estereótipos ainda presentes na linguagem.

A exposição ocupa o Espaço Paulo Gaiad da Fundação Cultural BADESC, apresentando pinturas em pastel seco sobre papel e tinta à óleo sobre tela. As obras, carregadas de cores quentes e frias, refletem memórias e sonhos, com palavras que são rasuradas, escritas e apagadas manualmente. A linguagem pictórica se entrelaça com fragmentos de leituras, pensamentos e escritos, criando uma narrativa contínua e fluida.

Além das pinturas, a exposição incorpora vídeos, instalações e performances que se desdobram em diferentes narrativas e ficções. Parte integrante do projeto “Língua Louca” é uma oficina para mulheres vítimas de violência na Ilha de Santa Catarina, proporcionando apoio e empoderamento.

O processo criativo de Letícia Cardoso, fundamentado em sua tese “Sono Histérico”, revela um mergulho profundo nas relações entre arte contemporânea, feminismo, ficção e psicanálise. Durante quatro anos de pesquisa, a artista utilizou os sonhos como fonte de inspiração, explorando também a escrita de cartas como uma busca por respostas para suas próprias angústias como mulher, artista e pesquisadora.

Exposição como ferramenta.

A exposição não é apenas uma manifestação artística; é uma resistência, uma forma de organizar afetos e questionar os padrões que permeiam a vida de Letícia Cardoso como mulher de 45 anos, mãe solo, e artista contemporânea na Ilha de Santa Catarina.

Língua Louca. Crédito Divulgação

A iniciativa conta com o apoio cultural da Duda Imóveis, Alecrim Conteúdo e Fundação Cultural BADESC, além do patrocínio da Prefeitura Municipal de Florianópolis, Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte e Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes.

Sendo assim, a exposição “Língua Louca” é mais do que uma simples mostra de arte. É sobretudo, um convite à reflexão sobre a condição feminina, Além de uma oportunidade de explorar a força da expressão artística como agente de transformação.

Por fim, a abertura ocorre no dia 12 de janeiro, às 19h, e a visitação estará aberta ao público de 15 a 31 de janeiro de 2024, na Fundação Cultural BADESC, localizada na Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis/SC.