The Beatles, uma curiosidade sobre “Let It Be”: “brother Malcolm” ou “Mother Mary”?

“Let It Be” é um dos clássicos dos Beatles, que deu nome ao álbum e filme, gravado em 1969 e lançado em 1970. Vamos conhecer uma curiosidade especifica da canção.

A composição de Paul McCartney, segundo o próprio músico, surgiu após sua mãe Mary surgir para ele durante um sonho. Aquele período, desde as gravações do Álbum Branco em 1968, John, Paul, George e Ringo, viviam um momento de muitas tensões e brigas. Fossem por questões musicais, econômicas ou pessoais. Paul fala sobre o sonho no livro “Many Years From Now”, de Barry Miles.

“Uma noite, durante aqueles tempos intensos, eu tive um sonho com minha mãe, que tinha morrido há mais de 10 anos. E foi tão bom vê-la porque isso é fantástico nos sonhos: Você fica unido a essa pessoa por segundos e parece que esteve presente fisicamente também. Foi ótimo para mim e ela parecia estar em paz no sonho, dizendo ‘tudo ficará bem, não se preocupe, pois tudo se acertará.” Eu não me lembro se ela pronunciou ‘Let it be’, mas era o sentido do seu conselho. Eu me senti muito abençoado por ter tido aquele sonho. E comecei a canção literalmente com a frase ‘Mother Mary.’ A canção é baseada naquele sonho.”

Em 2018, Paul contou o episódio para o apresentador James Corden, no quadro Carpool Karaoke, do programa The Late Show, veja:

As contradições

No entanto, existem algumas contradições sobre a origem da canção. Obviamente, que McCartney homenageou a mãe que morreu quando ele ainda tinha 14 anos, na letra, “When I find myself in times of trouble, Mother Mary comes to me, speaking words of wisdom, let it be” (Quando eu me encontro em momentos difíceis, mãe Maria vem para mim, falando palavras de sabedoria, deixe estar)

Contudo, existem registros onde Paul usa a frase,“brother Malcolm comes to me” (O irmão Malcolm vem até mim), em referência ao faz tudo dos Beatles, Mal Evans. Inclusive no período em que foi gravado o videoclipe, em uma segunda parte da canção, Veja:

O próprio Mal Evans em uma entrevista em 1975 para David Frost falou sobre o episódio:

 “Paul estava meditando um dia e eu cheguei até ele em uma visão, e eu estava lá dizendo ‘deixe estar, deixe estar…’. E é daí que vem a música… É engraçado porque uma noite estávamos voltando para casa de uma sessão e eram 3 da manhã. Estava chovendo, estava escuro em Londres e Paul estava contando isso, dizendo que eu tinha escrito essa música. ‘Seria o irmão Malcolm, mas tive que mudar para o caso de as pessoas entenderem errado!’, disse ele.”

O fato pode ser verdade, afinal existe um registro no canal oficial dos Beatles no Youtube, com data de gravação em 22 de novembro de 1968, em que Paul McCartney durante um outtake canta “Let It be”, em uma versão com poucas frases, em que não está presente a citação a mãe “Mother Mary”, e sim ‘Brother Malcolm”. Ouça:

As lorotas dos Beatles

Os fãs mais ávidos dos Beatles sabem que principalmente, John e Paul costumavam inventar estória criativas a respeito de alguns fatos sobre a banda. Como por exemplo, o surgimento do nome, que John inventou sobre um ser que veio para ele em sonho em cima de uma torta e disse, “vocês serão Beatles com A”.

Na verdade, o nome surgiu influenciados por Buddy Holly e The Crickets, em uma conversa de John com Stuart Sutcliffe em 1960, sobre virarem Beatles com A, um trocadilho de John, isto está no livro tune in. No Anthology, os próprios contam que também houve influência do filme, “The Wild Onde”, com Marlon Brando, quando ele nomeia sua gangue com o nome “The beetles’.

Outra estória famosa, é quando John Lennon inventou que eles tinham fumado maconha no banheiro do palácio de Buckingham antes de receberem as medalhas de Membros do Império Britânico, em 26 de outubro de 1965.

Enfim, Paul McCartney vem ao Brasil no fim do ano para 6 shows. No Mané garrincha, (30/11), Belo Horizonte – MRV Arena (3/12), São Paulo – Allianz Park (7 e 9/12) , Curitiba – Couto Pereira (13/12) e Rio de Janeiro – Maracanã (16/12). 

Por fim, com certeza vai tocar “Let It Be” ao vivo, sendo um dos pontos altos dos shows. 

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Sendo assim, “Let It Be”: