Novo sistema disponibiliza informações sobre resíduos em tempo real

Compartilhe

Sistema converte dados da coleta em indicadores de ganhos econômicos e ambientais

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) tem novo sistema de informações com dados em tempo real do manejo de resíduos sólidos em Florianópolis. De acordo com o superintendente de Gestão de Resíduos, Ulisses Bianchini.

O Residuômetro, produto criado com a ferramenta Power BI sobre banco de dados da Comcap desde 2017, é resultado da dissertação do engenheiro sanitarista e ambiental Bruno Vieira Luiz, no mestrado em Clima e Ambiente, do Instituto Federal de Santa Catarina. Serve para a cidade acompanhar a geração de resíduos e checar a importância da separação dos recicláveis para mitigar os efeitos do clima.

Atualização.

Desde 2014, a Comcap mantém no site informações sobre valorização de resíduos por meio da reciclagem e compostagem com percentual de desvio do aterro sanitário. Ano passado, grupo de trabalho coordenado pelo assessor técnico Wilson Cancian Lopes assumiu o desafio de tornar o sistema inteligente e com atualização em tempo real, conectando-o à base do Sistema de Coleta de Resíduos (Siscore) com atualização de dados em tempo real.

Bruno Vieira Luiz, mestrando do Ifsc, que estuda alternativas tecnológicas para a gestão dos resíduos com base na emissão de gases poluentes de modo a reduzir o impacto sobre o clima, liderou a construção do sistema já disponível para consulta no site www.pmf.sc.gov.br/comcap.

Contou com apoio do administrador e pós-graduando em Data Science e Decisão pelo Insper Igor Luna Detoni que trabalhou, de forma voluntária, sobre o banco de dados da coleta, integrando-o à ferramenta Power BI. Com isso, explica Bruno, agora é possível gerar relatórios de indicadores internos, de gestão, e externos, de transparência.

O Residuômetro torna mais fácil e inteligente a apresentação das informações de interesse público no portal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Também facilita a gestão interna ao dotar a Superintendência de Gestão de Resíduos de ferramenta para cruzar dados da operação. Todos os dados registrados no Siscore podem ser manuseados de modo mais intuitivo e visual. Sendo assim, facilita os controles de resultados do trabalho de motoristas e garis.

Informações e metas da cidade

“Florianópolis é a capital que mais recicla no Brasil e a primeira a assumir as metas lixo zero para 2030. Precisamos mergulhar no ecossistema de inovação para tornar essa jornada transparente e, acima de tudo, para compartilhá-la com todos”, aponta o secretário municipal do Meio Ambiente, Fábio Braga. “As metas de reciclagem são da cidade e o Residuômetro permite acompanhar o avanço dia a dia.” No Residuômetro, é possível apurar, por exemplo, quanto cada bairro gerou de resíduos.

Segundo Braga, agora que a SMMA unifica os serviços e políticas de saneamento e educação ambiental, essa matriz de informações inteligentes e em tempo real será aplicada também aos demais setores de drenagem, esgotamento sanitário e abastecimento de água para constituir o Sistema Municipal de Informações em Saneamento Básico.

Consulta inteligente no Residuômetro

O Residuômetro oferece consulta por período com dados sobre a geração de resíduos nas frações recicláveis, orgânicos e rejeitos na cidade toda ou por bairro. Na mesma tela, relaciona valores economizados com aterro sanitário e redução na emissão de carbono equivalente.

“O sistema permite enxergar a importância de separar os resíduos para reciclagem. A cidade gasta menos com o lixo e ganha muito em desempenho ambiental e social”, aponta Bruno Vieira Luiz.

A gestão dos resíduos sólidos urbanos, conforme ele, tem relação direta com o aquecimento global. Isto permite a redução das emissões de gases de efeito estufa oriundos da decomposição dos resíduos em sua destinação final. Além disso, ao permitir o reaproveitamento de materiais, a correta gestão dos resíduos reduz a exploração de matérias primas e evita gastos desnecessários de energia.

Acima de tudo, o dados de 1º de janeiro de 2017 a 13 de abril de 2021, revelam quase 1 milhão de toneladas na capital.

Com a recuperação de 60 mil toneladas de recicláveis secos e praticamente 17 mil toneladas de orgânicos, 8% dos resíduos deixaram de ir para o aterro sanitário, permitindo economia de aproximadamente R$ 12 milhões com aterro sanitário e reduzindo em 158 mil toneladas a emissão de gases poluentes.

Sem contar os ganhos em renda para as associações de triadores, fortalecendo o ciclo econômico, bem como práticas de compostagem e agricultura urbana.

Nos últimos quatro anos, o Centro, por exemplo, é responsável por 94 mil toneladas de rejeito e por 7,7 mil toneladas de recicláveis. Por fim, a separação na coleta seletiva no Centro contribuiu para mitigar em 19 mil toneladas a emissão de gases poluentes.

WhatsApp chat